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Sergei Grits
Apoiadores da oposição bielorrussa se manifestam no centro de Minsk


A União Europeia afirma não reconhecer os resultados das recentes eleições presidenciais na Belarus e vai impor sanções aos responsáveis ​​de fraudarem a votação deste mês.


A decisão é uma vitória para o líder da oposição do país, Sviatlana Tsikhanouskaya, que fez uma série de vídeos denunciando os injustos processos eleitorais.

As autoridades eleitorais declararam que Alexander Lukashenko, que foi presidente da Belarus por 26 anos, havia conquistado novamente o cargo em 10 de agosto, um dia após a votação. Desde então, milhares foram às ruas para protestar contra o que eles afirmam ter sido um resultado corrupto.

As autoridades  impediram a participação de dois adversários importantes da oposição na cédula, prendendo um por acusações que considerou políticas e levando o outro a fugir para a Rússia com seus filhos.

Mas, no início desta semana, Lukashenko foi vaiad o por trabalhadores furiosos enquanto visitava uma fábrica na capital, Minsk, para reunir apoio para sua liderança decadente.

Tsikhanouskaya disse que estava pronta para liderar a Belarus se Lukashenko se demitir. Em um vídeo gravado durante o exílio na Lituânia, ela declarou que Lukashenko "perdeu toda a legitimidade aos olhos de nossa nação e do mundo".

Tsikhanouskaya se considera a legítima vencedora e deseja que novas eleições sejam realizadas sob supervisão internacional . A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a violência no país deve parar.

A comissão irá destinar 53 milhões de euros (o equivalente a R$ 483 milhões) do governo para as vítimas da repressão estatal, aos manifestantes e à luta do país contra a pandemia do novo coronavírus.

O presidente russo, Vladimir Putin, que ofereceu ajuda militar a Lukashenko se necessário, alertou anteriormente à chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês Emmanuel Macron e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, contra a intromissão nos assuntos de Belarus.

O comissário da Indústria da UE, Thierry Breton, disse, antes da reunião do bloco nesta quarta-feira (19), que estava "claro que [o resultado das eleições presidenciais] não está de acordo com o desejo do povo". "Tem havido uma violência inaceitável e o estado de direito não é respeitado. As sanções já foram tomadas e, sem dúvida, serão reforçadas", disse ele.

Ele acrescentou que as negociações com Putin levarão em conta a natureza do relacionamento da Belarus com a Rússia.

"A Belarus não é a Europa, está na fronteira da Europa, entre a Europa e a Rússia, e a situação não é comparável à da Ucrânia ou da Geórgia", disse Breton. "A Belarus está fortemente ligada à Rússia e a maioria da população é favorável a esses laços estreitos ", declarou.

"A cada seis meses, verificamos se os países respeitam um certo número de critérios, especialmente o Estado de Direito. A decisão de fornecer recursos [como parte do plano de recuperação] será condicionada ao respeito desses critérios", afirmou ele.


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