porta-voz russo Alexander Myasnikov
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O médico e apresentador de televisão Alexander Myasnikov é o porta-voz do combate ao coronavírus na Rússia

O porta-voz do combate ao novo coronavírus na Rússia afirmou que a doença matará tantas pessoas no país quanto for necessário , recuando em sua previsão anterior de que seria "impossível" que o vírus se espalhasse para o país, informa o jornal "The Moscow Times". "A infecção ainda vai cobrar seu preço e todos vamos pegar", disse Alexander Myasnikov, em uma entrevista que foi ao ar nesta terça-feira no Youtube: "Quem tiver que morrer vai morrer, todo mundo morre".

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Médico e apresentador de TV, Myasnikov foi nomeado em meados de abril para o posto de porta-voz, cujas funções são informar o público sobre os métodos de tratamento e prevenção e combater as "notícias falsas" que cercam o vírus . Antes, ele havia estimado a probabilidade de a Covid-19 se espalhar na Rússia em "0,0%" e chamou a baixa taxa de mortalidade do país de "milagre russo", lembrou o "Times".

Na entrevista, Myasnikov ainda pediu aos russos que não entrem em pânico com os possíveis sintomas: "Mesmo que seja coronavírus, e daí? É claro que você precisa fazer um teste para evitar a contaminação de outras pessoas, mas tem que entender que é uma ilusão. Ficaremos sem exames se todo mundo correr para ser testado depois de cada espirro".

Depois da repercussão negativa de suas declarações, conta o jornal russo, Myasnikov acusou a imprensa do país de tirar suas palavras do contexto e disse que elas tinham a intenção de tranquilizar as pessoas que estão sentindo "incerteza e medo do amanhã".

"Não há necessidade de desperdiçar energia e destruir seu psicológico com pânico. Somos todos mortais pela força da nossa existência ”, escreveu ele em suas redes sociais: "O fato de uma pessoa ser mortal não deve escurecer os dias de nossa vida, infelizmente, passageira. Devemos apenas viver e aproveitar esta vida".

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A Rússia confirmou até esta sexta-feira mais de 326 mil casos do novo coronavírus , o terceiro maior número de infecções no mundo, atrás de EUA e Brasil, e mais de 3.200 mortes. O número de fatalidades relativamente baixo em comparação a outros países com altas taxas de infecção suscitou dúvidas sobre os métodos russos de contagem, que as autoridades asseguram serem precisos, diz o "Times".

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