presidente da china e bolsonaro
Valter Campanato/Agência Brasil
Xi Jiping, presidente da China, com Jair Bolsonaro em Brasília em 2019

A Embaixada da China divulgou uma nota na noite desta sexta-feira (22) repercutindo as citações indiretas ao país asiático no vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, divulgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O texto minimiza as vezes em que o contexto permite interpretar que o presidente Jair Bolsonaro e ministros falaram sobre a China e exalta a boa e forte relação comercial entre os dois países. A China é o principal parceiro comercial do País há onze anos.

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Nenhuma citação direta a outros países é feita no vídeo que foi divulgado por conta dos cortes feitos pelo STF no material bruto. Porém, o contexto das falas permite identificar duas falas sobre a China , sendo uma de Bolsonaro e outra do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Bolsonaro afirmou que o serviço secreto chinês teria agentes infiltrados em ministérios brasileiros, sem explicar a razão de pensar isso. "É uma realidade. Não adianta esconder mais, tapar o sol com a peneira, né? Tem, não é… em vá… em alguns ministérios têm gente deles plantando aqui dentro, né? Então não queremos brigar com os chineses, zero briga com a China. Precisamos deles para vender? Sim. Eles precisam também de nós", afirmou o presidente diante dos ministros.

Guedes, por sua vez, defendeu que a China financiasse um "Plano Marshall" para ajudar na reconstrução econômica mundial pela pandemia do novo coronavírus (Sars-Cov-2).

"A China (parte cortada por decisão do STF) deveria financiar um Plano Marshall para ajudar todo mundo que foi atingido. Então a primeira inadequação, a gente tem que tomar muito cuidado é o seguinte, é o plano Pró-Brasil ", disse o ministro, citando projeto de investimentos públicos anunciado pelo governo que causou atrito interno ao gerar  desconforto em Guedes . Além disso, o ministro da Economia se referiu à China como "aquele cara que você sabe que tem que aguentar", por se tratar do maior parceiro comercial do Brasil.

A nota da Embaixa da China não trouxe diretamente nenhuma das falas da reunião e optou por exaltar a boa relação comercial entre as duas economias. "A China mantém-se como maior parceiro comercial do Brasil há onze anos consecutivos e é uma das principais fontes de investimento estrangeiro no país. A relação bilateral na área econômica e comercial sempre tem sido norteada pelos princípios de respeito recíproco, igualdade, benefício mútuo e cooperação ganha-ganha e tem contribuído efetivamente para o crescimento conjunto de ambas as partes, trazendo benefícios reais para os dois povos", diz parte do texto.

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Em uma espécie de resposta indireta à cobrança de Guedes por um apoio à reestruturação da economia global, a embaixada disse que "Com abertura e transparência e alto senso de responsabilidade, a China notificou as informações atempadamente à OMS e a outros países como o Brasil, compartilhou, sem reservas, experiências de prevenção, controle, diagnóstico e tratamento e engajou-se na cooperação internacional para combate à pandemia. Atitudes como essas receberam alto apreço da ONU, da OMS e da comunidade internacional em geral."

Confira a nota na íntegra


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