genoma do novo coronavírus
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Pacientes que sofrem de psicose podem ter mais necessidades


Pesquisadores da Universidade La Trobe, localizada na Austrália, revisaram 14 artigos científicos para avaliar o possível impacto da Covid-19 , doença transmitida pelo novo coronavírus , em pessoas que sofrem de psicose. Há relatos de pacientes que experienciaram alucinações e ouviram vozes.

De fato, a doença causa um efeito a mais em quem tem psicose, tornando a situação arriscada no controle da infecção. A revisão foi publicada no periódico Schizophrenia Research e conclui que o estresse psicológico e social, contato com o vírus e condições prévias dessas pessoas podem intensificar a psicose.

"A covid-19 é uma experiência muito estressante para todos, particularmente aqueles com necessidades complexas de saúde mental", explicou a pesquisadora Ellie Brown e é co-autora da tese. Para conseguir fazer essa relação, foram analisadas pesquisas sobre epidemias que ocorreram nos últimos 20 anos, incluindo SARS, MERS, H1N1.

"Sabemos que a psicose e seus primeiros episódios são comumente desencadeados por substanciais estresses psicossociais. No contexto da Covid-19 , isso pode incluir estresse relacionado ao isolamento e ter que permanecer potencialmente dentro de situações familiares desafiadoras”, continua Brown.

A pesquisadora continua ao afirmar que quem sofre desse distúrbio mental pode ter uma forma diferente de assimilar o distanciamento físico. Além disso, suas queixas e necessidades podem não ser levadas em consideração com tanta seriedade.

Os sintomas psicóticos só são desencadeados em um número muito restrito de pacientes. É o que afirma o co-autor do estudo, o professor Richard Gray. Ele também chama atenção para as dificuldades em conseguir manter procedimentos de monitoramento da Covid-19 necessários para essa população.

Brown chama atenção para o fato de que é importante também monitorar o impacto da pandemia em quem tem distúrbios como depressão e ansiedade, considerados mais comuns. Mas que é preciso olhar para essa minoria.

Ao concordar, Gray afirma que quem sofre de psicose pode precisar de atenção e cuidados redobrados envolvendo isolamento e higienização das mãos, por exemplo. “Os médicos podem ser os que precisam pensar e trabalhar nisso para ajudar essa população vulnerável", disse.

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