pessoas de máscara
Fernando Frazão/Agência Brasil
Em 17 países, 45% de 200 mil pessoas já conhecem alguém que perdeu emprego


O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, desenvolveram estudo para avaliar os impactos econômicos da pandemia do novo coronavírus na América Latina . O levantamento levou em conta a situação de 200 mil pessoas de 17 países entre o período de 27 de março e 30 de abril. Diversas evidências apontam para um crescimento de desigualdades sociais.

Segundo texto da pesquisa, as consequências por conta do novo coronavírus serão agressivas, muito pela maneira desigual com que países lidam a economia e com a formação do mercado de trabalho.

O documento alerta para o número alto de pessoas que estão perdendo empregos. A maioria faz parte da fatia mais pobre da população e recebe menos de um salário mínimo (de acordo com o valor estipulado em cada país). A diferença entre demissões da classe alta para a classe baixa é de 40 pontos percentuais.

Quarenta e cinco por cento das pessoas entrevistadas disseram que ao menos uma pessoa com quem moram junto foi desligada do trabalho por conta da crise. No caso de pessoas que tinham pequenas empresas , 57% precisaram fechar as portas.

Os pesquisadores afirmam que isso se dá porque a população mais pobre não pode “se dar ao luxo” de trabalhar em regime home office. Ao contrário, seguem trabalhando em setores que demandam presencialidade.

Durante o período em que a pesquisa aconteceu, 30% de pessoas tiveram rendimento familiar menor que um salário mínimo. Enquanto no mês de abril, metade dos entrevistados já especulavam que estariam abaixo do limite

O Banco explica que existem indicadores que podem ajudar a identificar a diferença de impacto em cada território.

Um desses indicadores foi o fato de que países cujo sistema de trabalho informal é mais dominante sofreram mais. É o caso de Colômbia, Equador e Peru, as demissões e fechamentos de empresas foram maiores.

O estudo chegou a afirmar, ainda, que a saúde alimentar de famílias de baixa renda também mudou. Durante a pandemia, pessoas mais pobres têm mais chances de passar maiores intervalos de tempo sem comer ou comendo alimentos mais baratos e em menores quantidades.

Segundo BID, na semana que antecedeu ao início da pesquisa, um equivalente a 70% das famílias entrevistadas precisaram recorrer a empréstimos de parentes e amigos para conseguirem se manter. Por outro lado, apenas 40% usam auxílio de remessas exteriores. No entanto, o Banco Mundial notificou que esses valores serão reduzidos por conta da crise.

Mesmo com o aperto, 77% das pessoas afirmaram que governos devem olhar para a gestão da pandemia em primeiro lugar e 54% disseram que o comércio deve ficar fechado ainda pelo mês de maio. Mas, naturalmente, famílias que tiveram perdas econômicas muito grandes acabam deixando de apoiar as medidas de isolamento social com mais facilidade.

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