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Rovena Rosa/Agência Brasil
Manter pessoas em isolamento é estratégia mais efetiva contra o novo coronavírus

Um relatório do Imperial College London (Reino Unido) divulgado esta quinta-feira (23) afirma que é "improvável" que a testagem em massa da população contra o coronavírus, adotada em países como a Coreia do Sul e a Alemanha, seja mais segura do que outras medidas que podem ser tomadas contra a disseminação da Covid-19, como o isolamento social. A ampla realização dos exames é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e já foi criticada por especialistas.

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Entre as iniciativas que podem ser tão ou mais eficazes, segundo o levantamento, estão o rastreamento de infectados  ou o estabelecimento de quarentenas para pessoas que apresentam sintomas relacionados à Covid-19 .

Além disso, a liberação de cidadãos para circulação após os testes apresentarem resultado negativo para coronavírus representaria “desafios técnicos, legais e éticos significativos”, aponta o estudo.

A aplicação de testes, porém, é recomendada pela pesquisa aos profissionais de saúde, que são “desproporcionalmente infectados” pelo coronavírus, constituindo entre 4% e 19% de todos os casos de contaminação relatados na China e em países europeus. O índice expõe a fragilidade do sistema hospitalar e, por isso, a necessidade de adotar técnicas de prevenção.

Para os pesquisadores, a triagem semanal dos profissionais de saúde pode reduzir as taxas de infecção desse grupo entre 25% e 33%.

Também diminuiria a necessidade de isolamento social e um retorno antecipado ao trabalho – um fator importante, diante da escassez de mão de profissionais de saúde em diversos países, como o Brasil, no combate à pandemia.

Para os autores do levantamento, é um desafio saber se os anticorpos detectados pelos testes moleculares significam uma proteção contra a Covid-19 e, em caso afirmativo, por quanto tempo. Por isso, a pesquisa sugere que os testes em massa, por si só, são um método contestável para permitir a circulação da população.

Em fevereiro, ainda no início da pandemia, a Coreia do Sul montou uma força-tarefa que, em poucas semanas, aplicou testes em mais de 200 mil pessoas. O país foi aplaudido como referência mundial no combate ao coronavírus.

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No entanto, em uma reviravolta, mais de 160 pessoas testaram positivo ao realizar um segundo exame. Profissionais de saúde afirmam que a doença pode ter uma vida útil mais longa do que o esperado, descartando a possibilidade de que o patógeno tenha sofrido uma mutação. A nação está alerta, mas, por enquanto, ainda tem um balanço positivo. O coronavírus provocou 240 mortes no país, o equivalente a cinco a cada 1 milhão de habitantes – cinco vezes menos do que a média do planeta.

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