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Donald Trump está sendo amplamente visto como ansioso em transformar a pandemia em uma batalha de influência com a China



Donald Trump se viu isolado entre os líderes ocidentais em uma cúpula virtual do G7, já que eles expressaram forte apoio à Organização Mundial da Saúde (OMS) após a suspensão do financiamento pelos EUA.

Autoridades de saúde de todo o mundo condenaram a decisão do presidente dos EUA de interromper o financiamento de seu país para a agência da ONU, em meio a uma crise que deixou mais de 2 milhões de pessoas infectadas e quase 140 mil mortas.

Nesta quinta-feira (16), os líderes do G7 insistiram em uma cooperação internacional . Imediatamente após a teleconferência de uma hora, um porta-voz de Angela Merkel (chanceler da Alemanha) disse que ela havia argumentado que "a pandemia só pode ser superada com uma resposta internacional forte e coordenada". Merkel também teria "expressado apoio à OMS, bem como a vários outros parceiros".

"Há uma necessidade de coordenação internacional e a OMS é uma parte importante desse processo. Reconhecemos que foram feitas perguntas mas, ao mesmo tempo, é realmente importante que continuemos coordenados à medida que avançamos", reiterou o primeiro ministro canadense, Justin Trudeau.

A Fundação Gates também anunciou uma doação extra de US$ 150 milhões, em uma ação que a OMS recebeu.

A Casa Branca insistiu que havia apoio às críticas dos EUA à OMS na reunião virtual do G7, dizendo que "grande parte da conversa estava centrada na falta de transparência e má administração crônica da pandemia pela OMS. Os líderes pediram uma revisão completa e um processo de reforma."

Os EUA são os maiores doadores da OMS, fornecendo cerca de US$ 400 milhões por ano, mas afirmam que o diretor geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, não estava disposto a confrontar os chineses no início do surto.

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Os EUA afirmam que o diretor geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, não estava disposto a confrontar os chineses no início do surto


Trump - em uma batalha para salvar sua presidência em novembro e criticado pela falta de liderança dos EUA durante a crise - parece amplamente ansioso em transformar a pandemia num teste de força e influência com a China.

Outros líderes do G7 têm dúvidas sobre aspectos do papel da OMS e da resposta da China ao coronavírus, mas argumentam que o meio da pandemia de coronavírus é o momento errado para atrapalhar a liderança da organização, abrindo um buraco surpresa em suas finanças.

Com os EUA atuando à frente do G7 e sofrendo críticas à sua liderança global, Trump convocou a reunião especial dos líderes, uma junção das principais economias ocidentais que, diferentemente do G20, exclui Rússia e China .

O Reino Unido foi representado na ligação pelo secretário de Relações Exteriores, Dominic Raab, que ainda está substituindo Boris Johnson enquanto o primeiro-ministro se recupera do coronavírus.

Ele disse que, uma vez controlado o surto, "não podemos ter negócios como de costume e devemos fazer perguntas difíceis sobre como tudo ocorreu". E acrescentou: "É preciso haver um mergulho profundo e uma revisão das lições, incluindo o surto do vírus."

O Reino Unido aumentou este mês sua ajuda à OMS e reconhece que a OMS estava envolvida em um delicado esforço diplomático para obter permissão da China para entrar no país e investigar o surto.

Em uma declaração após a reunião, o presidente do conselho da União Europeia (UE), Charles Michel, pediu aos líderes mundiais que contribuam para uma conferência internacional online, em 4 de maio, a fim de "melhorar a preparação geral e garantir financiamento adequado para desenvolver e implantar uma vacina contra o coronavírus."

A conferência da UE poderia ajudar a preencher o buraco criado pela suspensão de financiamento nos EUA. A UE diz que está tentando arrecadar até US$ 8 bilhões, mas não está claro como a conferência  trabalhará ao lado da ONU, pedindo dinheiro extra para a OMS.

Em uma videoconferência separada com colegas internacionais, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, descreveu a OMS como a "espinha dorsal da luta contra a pandemia". "Não faz sentido agora questionar a capacidade da OMS de funcionar ou seu significado", disse ele.

Trump já teve um desentendimento com os outros seis líderes do G7, quando eles se recusaram a aceitar um comunicado anterior elaborado pelos EUA para uma reunião em 16 de março.

Os EUA queriam que o comunicado do G7 de 16 de março descrevesse o coronavírus como o vírus Wuhan, numa tentativa de atribuir à China a responsabilidade pela próxima recessão econômica global. Os outros seis países - Japão, Itália, França, Reino Unido, Itália e Canadá - recusaram.

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