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Líder fugitivo do Estado Islâmico (EI) foi morto em uma operação militar na Síria; anúncio da operação foi feito por Donald Trump neste domingo

Abu Bakr al-Baghdadi arrow-options
Reprodução
Morte do líder terrorista foi confirmada pelo presidente Trump em comunicado

Em uma declaração incomum na manhã deste domingo (27), o presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou a morte de Abu Bakr al-Baghdadi . Segundo o presidente, Baghdadi morreu após encontrar um túnel sem saída na província de Idlib, no noroeste da Síria, enquanto era perseguido por cães americanos.

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"Choramingando, chorando e gritando por todo o caminho", afirmou Trump. Baghdadi estava acompanhado por três de seus filhos pequenos e detonou seu colete explosivo, matando todos eles. A explosão mutilou o corpo de Baghdadi, mas testes de DNA confirmaram sua identidade, acrescentou Trump. As informações são do site BBC News Brasil.

"O bandido que se esforçou tanto para intimidar os outros passou seus últimos momentos com total medo, em total pânico e pavor, aterrorizado com as forças americanas que o atacavam", disse Trump.  

Baghdadi ganhou destaque mundial em 2014, quando anunciou a criação de um "califado" em áreas do Iraque e da Síria. O grupo jihadista controlava, com uma política brutal, uma região de quase oito milhões de pessoas e esteve por trás de vários ataques em cidades ao redor do mundo. Os EUA declararam o "califado" derrotado no início deste ano.

Quem era Abu Bakr al-Baghdadi?

Seu nome verdadeiro era Ibrahim Awwad Ibrahim al-Badri. Nascido em 1971, em Samarra, cidade do  Iraque, era de uma família sunita de classe média baixa. Desde jovem observava as regras do islamismo de forma rigorosa e já manifestava interesse pela religião islâmica desde criança.

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Sua vida acadêmica foi dirigida aos estudos religiosos . Em 1996, formou-se em Estudos Islâmicos pela Universidade de Bagdá. Em 1999, concluiu o mestrado em estudos do Alcorão na Universidade Saddam de Estudos Islâmicos do Iraque e, em 2007, tornou-se doutor sobre o mesmo assunto pela mesma instituição.

Até 2004, morava em Tobchi, bairro de Bagdá, com suas duas mulheres e seis filhos. Ainda na graduação, juntou-se à Irmandade Muçulmana - um grupo político-religioso. No fim dos anos 2000, adotou a doutrina jihadista salafista e se envolveu com a Al-Qaeda no Iraque (AQI), que mais tarde daria origem ao Estado Islâmico.

Sua aparição pública aconteceu em 2014. Até essa data, mantinha silêncio na maior parte do tempo, com exceção por relatos não confirmados de sua morte e gravações sem autoria confirmada. 

Em abril deste ano, fez uma rara aparição em vídeo onde prometeu vingar-se da perda de territórios antes controlados pelo grupo.

Depois da invasão do Iraque pelos Estados Unidos, em 2003, al-Baghdadi ajudou a fundar um grupo de oposição, o Jaysh Ahl al-Sunah wa al-Jamaah (Exército Popular da Sunnah e Solidariedade Comunal).

Em fevereiro de 2004, o exército dos EUA prendeu Baghdadi na cidade de Falluja e o enviou para a detenção em Camp Bucca, onde ele permaneceu por 10 meses. Na prisão, focou em atividades religiosas, comandando orações, pregando e dando aulas aos prisioneiros.

Segundo um ex-colega de prisão, Baghdadi era uma pessoa taciturna. Mesmo assim,  conseguia dialogar com facções rivais de Camp Bucca, onde ex-defensores de Saddam Hussein (1937-2006) conviviam com jihadistas islâmicos.

Ele manteve contato com esses grupos depois de ser solto em dezembro de 2004. Com a liberdade, foi procurado pela AQI, dirigida pelo jordaniano Abu Musab al-Zarqawi.

Com sua erudição religiosa, Baghdadi viajou para Damasco, onde trabalhou para que a propaganda da AQI aderisse aos princípios islâmicos ultraconservadores . Zarqawi foi morto em junho de 2006 por um ataque aéreo dos EUA e sucedido pelo egípcio Abu Ayyub al-Masri.

Naquele mês de outubro, Masri dissolveu a AQI e fundou o Estado Islâmico no Iraque (ISI). O novo grupo continuou a jurar lealdade à Al-Qaeda.

Um novo emir

As credenciais religiosas e a capacidade de aproximar estrangeiros que fundaram o ISI e outros iraquianos, permitiram que Baghdadi subisse na hierarquia do grupo.

Ele foi nomeado supervisor do Comitê da Sharia (a lei islâmica) e depois ao Conselho Shura, uma cúpula de 11 membros que assessorava o emir do ISI, Abu Omar al-Baghdadi.

Na sequência foi  nomeado para o Comitê de Coordenação do ISI , que supervisionava a comunicação com os comandantes do grupo no Iraque. Após as mortes do fundador do ISI e de seu antigo emir, em abril de 2010, o Conselho Shura o escolheu como o novo emir da organização.

Baghdadi começou a reconstruir o ISI, dizimado pelas forças de operações especiais dos EUA. Na esteira da chamada Primavera Árabe da Síria, em 2011, Baghdadi ordenou que seus agentes sírios estabelecessem um ramo secreto do ISI no país, mais tarde conhecido como Frente al-Nusra.

O surgimento do Daesh

Baghdadi logo se desentendeu com o líder da Al-Nusra, Abu Mohammed al-Julani - ele queria colaborar com os rebeldes sunitas que lutavam pela derrubada do presidente sírio Bashar al-Assad.

Ao invés disso, Baghdadi queria estabelecer seu próprio Estado por meio da força bruta, antes de se confrontar com Assad. Em 2013, Baghdadi anunciou que a Al-Nusra fazia parte do ISI, que ele rebatizou de "Estado Islâmico do Iraque e al-Sham / Levante" (o grupo também é conhecido pelas siglas ISIS, ISIL ou Daesh).

Quando o líder da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, ordenou a Baghdadi que reconhecesse a independência da Al-Nusra, Baghdadi recusou-se. Em fevereiro de 2014, Zawahiri expulsou o Estado Islâmico da Al-Qaeda.

O grupo respondeu lutando contra a Al-Nusra e consolidando sua posição no leste da Síria, onde Baghdadi impôs severas leis religiosas. Com sua fortaleza segura, Baghdadi ordenou que seus homens avançassem para o oeste do Iraque.

O califa

Em junho de 2014, o Estado Islâmico capturou a segunda maior cidade do Iraque, Mossul. Logo depois, o porta-voz do grupo proclamou o retorno do califado. Dias depois, durante uma pregação de sexta-feira em Mossul, Baghdadi declarou-se califa .

Desde então, relatos de sua morte foram diversas vezes ventilados na imprensa. Mas nunca foram confirmados. As informações se baseiam em informações de William McCants, autor do livro "The ISIS Apocalypse: The History, Strategy, and Doomsday Vision of the Islamic State" (O apocalipse do ISIS: a história, a estratégia e a visão do Estado Islâmico sobre o fim dos tempos, em tradução livre)

A operação que derrubou Baghdadi

A localização na província de Idlib, onde Baghdadi foi encontrado fica longe de onde se pensava que Baghdadi estava escondido. Muitas partes do Idlib estão sob o controle de jihadistas que se opõem ao Estado Islâmico (EI), mas grupos rivais são suspeitos de abrigar militantes do EI.

Nenhum soldado americano foi morto, mas vários seguidores de Baghdadi também morreram e outros foram capturados, segundo Donald Trump, que acrescentou que "material e informações altamente sensíveis" foram reunidos.

Um morador de Barisha, onde ocorreu o ataque, disse à BBC que helicópteros deram disparos por 30 minutos no sábado, antes que as tropas se tornassem ativas no solo. Helicópteros dispararam contra duas casas, arrasando uma, disse ele.

As forças lideradas pelos curdos sírios - um dos principais aliados dos EUA no norte da Síria até o presidente Trump retirar as tropas americanas da área neste mês - disseram que realizaram uma operação conjunta "histórica".