Eduardo Bolsonaro
Paola de Orte/Agência Brasil
Eduardo Bolsonaro

Numa situação já pouco confortável, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) enfrentará mais resistência para a sua indicação à Embaixada do Brasil nos Estados Unidos, avaliam senadores da base governista e da oposição, após o imbróglio do processo de adesão do país na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

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Líder do partido do presidente Jair Bolsonaro no Senado, Major Olímpio (PSL-SP) admite a crescente dificuldade para a oficialização de Eduardo Bolsonaro . O presidente nunciou a intenção de indicar o filho em julho. Três meses depois, ainda não formalizou o nome ao Senado. Na quinta-feira fez seis meses que o Brasil está sem embaixador em Washington.

"Claro que dificulta (a aprovação de Eduardo para o cargo). O governo Donald Trump considerou a Argentina e nos desconsiderou. Isto não é sinal de respeito ao governo brasileiro, muito menos a boas relações diplomáticas", avaliou Olímpio.

Presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional do Senado, em que indicados para embaixadas são sabatinados, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) pregou cautela, mas indicou ser necessário agilizar o processo de escolha do embaixador.

"Temos que aguardar os desdobramentos. O Brasil não foi preterido. Existiam outros países na nossa frente. Mas essa situação evidencia que precisamos logo enviar um embaixador que possa de perto cuidar dos nossos interesses", declarou o parlamentar.

Integrante da oposição na Comissão de Relações Exteriores do Senado, Humberto Costa (PT-PE) define a decisão do governo Trump como prova da desmoralização de Bolsonaro diante da comunidade internacional. Segundo Costa, a indicação do filho do presidente “subiu no telhado”.

"É a demonstração do isolamento político e diplomático que o Brasil experimenta com o governo Bolsonaro. Naturalmente, o presidente jogou todas suas cartas em uma relação bilateral e todas as suas fichas na possibilidade desse relacionamento (com os EUA) se concluir. Vendeu o Brasil como aliado e os americanos tratam o Brasil de forma insignificante", avaliou.

Recorrendo à ironia, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse que a decisão é consequência de “uma aventura da desastrada diplomacia do governo Bolsonaro ”.

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"O Senado não deve retaliar os EUA mandando Eduardo Bolsonaro como embaixador a Washington. Isso só demonstra o quanto foi incompetente a diplomacia do governo Bolsonaro. Acaba qualquer argumento para a ida de Bolsonaro (para a embaixada)", garante

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