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Julgamento havia sido pedido após a divulgação de uma ata diplomática assinada em maio com o Brasil pelo qual o Paraguai concordou em pagar mais pela energia que consome da usina binacional de Itaipu

Mario Abdo Benítez e Jair Bolsonaro arrow-options
Agência Brasil
Mario Abdo Benítez mantém fortes laços com o presidente brasileiro Jair Bolsonaro

A Câmara dos Deputados do Paraguai rejeitou nesta terça-feira (20) o pedido de impeachment contra o presidente Mario Abdo Benítez , numa tentativa de acabar com a crise política que ameaçou seu mandato e tentar mostrar unidade no governista Partido Colorado.

Os deputados decidiram arquivar a proposta apresentada no final de julho, quando foram divulgados os termos de uma ata diplomática assinada em maio com o Brasil pelo qual o Paraguai concordou em pagar mais pela energia que consome da usina binacional de Itaipu. Na época, Mario Abdo foi acusado de "traição à pátria".

À época, legisladores de um grupo dissidente do partido governista, liderado pelo ex-presidente Horacio Cartes, anunciaram apoio ao pedido de impeachment , mas o retiraram quando o governo anunciou que o documento seria anulado de comum acordo com o Brasil. Apesar disso, a oposição apresentou uma acusação e convocou mobilizações de rechaço ao governo, o que mantinha latente a crise política.

Na semana passada, Abdo pediu que o Congresso julgasse o pedido para acabar com a instabilidade política. A proposta teve 43 votos contrários, 36 a favor e uma abstenção.

"Vamos finalmente pôr fim a esta questão muito dramática e sensível. Tivemos dias difíceis e todos concordamos que teríamos de resolver esta questão de uma vez só", afirmou o deputado oficialista Freddy D'Ecclesiis.

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Pela ata assinada em maio, o governo paraguaio passaria a declarar gradualmente, até 2022, uma contratação maior da energia dita "garantida" de Itaipu, mais cara, deixando de contar com a chamada "energia excedente", bem mais barata. De acordo com técnicos paraguaios, os gastos do país aumentariam em ao menos US$ 200 milhões anuais.

Abdo, 47 anos, que mantém fortes laços com o presidente Jair Bolsonaro (PSL), completou seu primeiro ano de mandato em 15 de agosto com um alto nível de desaprovação, de acordo com pesquisas locais.

"O governo estará nas mãos, a partir de agora, de uma minoria dentro da maioria e são eles os que vão definir o rumo", disse a deputada de oposição Celeste Amarilla, referindo-se ao grupo de Cartes, que ganhou protagonismo ao livrar Mario Abdo do impeachment.

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