Tamanho do texto

Fortalecimento da direita nos países da Europa Ocidental desde o Brexit e a ascensão de figuras como Marine Le Pen preocupa a fundação criada pelo bilionário húngaro George Soros

Viktor Órban, presidente da Hungria
AP
A Open Society, criada por Soros, encerrou suas atividades na Hungria depois de ser "expulsa" pelo governo conservador do presidente Viktor Órban


A Fundação Open Society , comandada pelo megainvestidor George Soros e mais conhecida por financiar ativistas de direitos civis no Leste Europeu e em países em desenvolvimento, tem voltado sua atenção para o lado ocidental do continente, em resposta à ascensão da extrema direita .

No ano passado, a entidade criada pelo bilionário George Soros decidiu fechar um de seus escritórios, ativo há trinta anos, em Budapeste, na Hungria, por causa da hostilidade do governo ultranacionalista do primeiro-ministro Viktor Orbán.

O recente crescimento da extrema direita na Europa Ocidental tem preocupado o magnata, que vê o espaço do ativismo independente na região diminuir à medida que estes grupos chegam ao poder, como ocorreu anos atrás no Leste Europeu.

No sul da França , a entidade entrou em cena para subsidiar os direitos dos imigrantes locais e grupos antidiscriminação. O financiamento público às organizações foi congelado quando a Frente Nacional de Marine Le Pen , depois renomeada Reunião Nacional, assumiu o poder em vários municípios.

A entidade também pretende atuar em parceria com organizações dedicadas a financiar a promoção do espírito comunitário em áreas carentes do norte da Inglaterra , onde houve expressiva votação a favor do Brexit . A decisão de ampliar o foco dos trabalhos reflete o temor de Soros de que a Europa Ocidental também sucumba aos encantos de líderes nacionalistas fortes, como Viktor Orbán.

A fundação também planeja medidas semelhantes na Alemanha , onde o partido anti-imigração Alternativa para a Alemanha, de ultradireita, se prepara para ganhar as eleições regionais em diversas áreas do país. O pleito acontece no final deste ano.

"Estamos analisando a possibilidade de ter um fundo emergencial de apoio a atores da sociedade civil no lado oriental da Alemanha que compartilham nossos valores. Lá, todos que trabalham com racismo, antissemitismo e apoio a imigrantes, como a Cruz Vermelha, estão preocupados com a possível perda de seus financiamentos", disse Selmin Caliskan, diretor do novo escritório da fundação em Berlim.

Para Salil Shetty, ex-chefe da Anistia Internacional e chefe da Open Society na região da Ásia-Pacífico, a Alemanha nem sempre se destacou como uma das vozes mais fortes na defesa dos direitos humanos. Apesar de demonstrar disposição para financiar iniciativas de democratização e da sociedade civil, Berlim muitas vezes foi silenciada em suas críticas quando isso prejudicou os interesses dos gigantes industriais dos quais depende a economia de exportação alemã.

A Fundação Open Society surgiu das tentativas do magnata de promover a democratização na Hungria , seu país de origem, na década de 1980, durante a queda do bloco comunista. No entanto, conflitos com o atual governo de direita levaram George Soros a fechar a universidade criada por ele em Budapeste e a mudar a sede da fundação da capital húngara para a Alemanha. Segundo Goran Buldioski, chefe do novo escritório em Berlim, é perceptível o número cada vez maior de outdoors anti-Soros patrocinados pelo governo húngaro em Budapeste.

No entanto, ele acredita que a transformação de Soros, de 88 anos, em bicho-papão global da extrema direita tem pouco a ver com a atuação da Fundação Open Society ou mesmo com o próprio Soros. Para ele, a difamação foi uma "cortina de fumaça" para encobrir ataques a organizações civis locais.