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Wikileaks afirma que ativista poderá 'limpar seu nome'; Reino Unido deverá se decidir pelo pedido sueco de extradição ou pela solicitação americana

Assange
David G Silvers/Creative Commons
Assange foi preso no Reino Unido, no mês passado, depois de passar sete anos dentro da sede diplomática de Quito

A Procuradoria da Suécia informou nesta segunda-feira que vai reabrir uma investigação de estupro contra o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, e pedirá sua extradição do Reino Unido. A procuradora Eva-Marie Persson disse à imprensa que iria continuar e concluir uma apuração preliminar que foi abandonada em 2017 porque o ativista se refugiara na embaixada equatoriana de Londres, e os investigadores não conseguiram avançar no caso.

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Assange foi preso no Reino Unido, no mês passado, depois de passar sete anos dentro da sede diplomática de Quito. Os Estados Unidos também buscam sua extradição por acusar o australiano de conspirar com a ex-analista de Inteligência do Exército dos EUA Chelsea Manning para tentar acessar um computador do governo americano em 2010.

A procuradoria afirmou que pretende pedir, em breve, a detenção de Assange por meio de um mandado de prisão europeu. O ativista está, no momento, preso no Reino Unido sob a condenação de violar a liberdade condicional de um processo que corria na Justiça britânica ao se refugiar na embaixada equatoriana, em 2012. A decisão de reabrir a investigação agora coloca a dúvida se o fundador do Wikileaks será transferido para os Estados Unidos ou para a Suécia.

"Estou bem ciente do fato de que um processo de extradição está em curso no Reino Unido e que ele poderia ser extraditado para os EUA ", reconheceu Persson. "Como Assange está encarcerado no Reino Unido , estão presentes as condições para sua entrega (à Suécia), o que não era o caso até 11 de abril".

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A reabertura do caso de 2010 permitirá ao fundador do WikiLeaks "limpar seu nome", afirmou nesta segunda-feira a chefe de redação da plataforma, a jornalista islandesa Kristinn Hrafnsson. Hrafnsson indicou ainda, em comunicado, que houve "pressão política" na Suécia para a reabertura do caso contra Assange.

A Justiça britânica avaliará os pedidos de extradição, e o secretário do Interior do país, Sajid Javid, vai decidir qual dos dois prevalecerá. Nick Vamos, advogado da firma londrina Peters & Peters e ex-chefe de extradição do Serviço de Investigação do Reino Unido, disse.

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Crown Prosecution Service da Grã-Bretanha, disse antes da decisão de segunda-feira que o pedido sueco deve assumir supremacia ante Assange . "No caso de um conflito entre um mandado de detenção europeu e um pedido de extradição dos EUA, as autoridades do Reino Unido decidirão sobre a ordem de prioridade", disse um comunicado do promotor sueco.