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Rede social reafirma compromisso de suprimir publicações de usuários e páginas extremistas; grupos terroristas atuam abertamente na plataforma

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ONG informou que grupos extremistas atuam abertamente no Facebook

Os sistemas automáticos do Facebook têm gerado conteúdo para usuários e grupos vinculados ao terrorismo que seus algoritmos não reconhecem como extremistas, denunciou uma ONG americana.

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Segundo o Centro Nacional de Denunciantes, que se dedica à assistência e à proteção de pessoas que vazam informações sigilosas e sensíveis, o Facebook tem criado involuntariamente materiais próprios de terror e ódio e, com isso, facilitado a mobilização e o recrutamento do crime organizado. 

A acusação partiu de um denunciante que pediu anonimato à ONG. A investigação de cinco meses de páginas de 12 autodenominados terroristas e seus três mil usuários amigos apontou que o Estado Islâmico e a al-Qaeda atuam "abertamente" na rede social.

Segundo o levantamento, a plataforma removeu apenas 38% das publicações que exibiam símbolos de grupos extremistas no período analisado, de agosto a dezembro de 2018. Os sistemas automáticos nem sempre identificam todo conteúdo sensível postado.

Em resposta à agência France Presse, o Facebook argumentou que "suprime" os conteúdos de "terrorismo" a um "ritmo muito mais alto que há dois anos". A rede social tem reforçado seu compromisso de retirar da plataforma materiais ligados a discurso de terror e ódio.

Os algoritmos da plataforma podem criar páginas e conteúdo, como pequenas montagens de "lembranças", que reúnem publicações de usuários e grupos. Neste sentido, a ONG denunciou que a rede acaba por criar, inadvertidamente, seus próprios materiais de viés extremista, por meio da tecnologia de geração automática.

"Os esforços do Facebook caçar (conteúdo relacionado com) o terrorismo são débeis e ineficazes", diz a organização. De acordo com o estudo, conteúdo extremista de autoidentificados nazistas e grupos de supremacia branca dos Estados Unidos também foi disposto na rede e não foi retirado. A ONG aponta, por exemplo, que foi criada automaticamente uma página para o Partido Nazista Americano, com link para o site do grupo.

A ONG destacou ter apresentado uma queixa ante o regulador do mercado de ações dos Estados Unidos, em nome de um denunciante, que pediu anonimato. O centro alega que a rede social pode ter violado as leis de valores mobiliários, que proíbem as empresas de capital aberto de enganar acionistas e consumidores.

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De acordo com a petição, ao "gerar automaticamente" conteúdo de ódio, com materiais fornecidos por usuários extremistas, as garantias do Facebook sobre a remoção imediata deste tipo de conteúdo são "altamente enganosas".

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