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Promotoria abre investigação por lavagem de dinheiro após quase R$ 30 milhões serem apreendidos sem justificativa legal na casa de Omar al-Bashir

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Divulgação
Grande quantia de dinheiro foi encontrada na casa de ex-ditador do Sudão, Omar al-Bashir

O Ministério Público do Sudão abriu investigação por lavagem de dinheiro contra o ex-ditador do país, Omar al-Bashir, após a apreensão de uma grande soma de dinheiro na sua casa, indicou fonte do sistema judiciário sundanês à agência de notícias Reuters neste sábado (20).

Segundo a fonte, agentes da inteligência militar encontraram malas com mais de US$ 351 mil (cerca de R$ 1,4 milhão), 6 milhões de euros (R$ 26,5 milhões) e 5 milhões de libras sudanesas (R$ 415 mil) durante buscas na residência do ex-ditador do Sudão , que não teria justificativa legal para ter tamanha quantia.

"O promotor-chefe determinou a detenção do (ex-)presidente e rápido interrogatório em preparação para um julgamento", disse a fonte. "O Ministério Público vai interrogar o ex-presidente na prisão de Kobar".

De acordo com a fonte, Bashir ainda não foi ouvido oficialmente sobre o caso, tampouco dois de seus irmãos, também detidos sob acusações de corrupção. Parentes do ex-presidente, que governou o Sudão por 30 anos até ser derrubado no último dia 11 de abril , não foram encontrados para comentar sobre a investigação.

Bashir também é procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) sob acusação de genocídio pelas ações adotadas na região de Darfur, no Oeste do Sudão.

Enquanto isso, a procuradoria-geral do Sudão anunciou neste sábado a formação de um comitê para supervisionar as investigações de corrupção no país, informou a agência de notícias estatal Suna . Sem citar diretamente o caso de Omar al-Bashir , o comunicado do órgão menciona crimes envolvendo recursos públicos e corrupção relacionados aos eventos recentes no país.

Ainda de acordo com a Suna , o procurador-geral Al-Walid Sayed Ahmed também solicitou ao Serviço Nacional de Inteligência e Segurança do Sudão a suspensão da imunidade de oficiais suspeitos da morte de um professor sob sua custódia em fevereiro.

Hassan Bashir, professor de ciências políticas da Universidade de Neelain, diz que as medidas contra o ex-presidente são uma mensagem a outras figuras relacionadas ao seu regime de que ninguém está acima da lei.

"Este julgamento é um passo que a junta militar quer dar para satisfazer os manifestantes apresentando Bashir num tribunal", resume.

Ao longo de suas três décadas no poder, o ex-ditador do Sudão de 75 anos enfrentou rebeliões armadas, crises econômicas e tentativas do Ocidente de torná-lo um pária, mas só caiu após uma onda de protestos desencadeada em dezembro passado por cortes nos subsídios do pão e dos combustíveis. As manifestações contra o aumento do pão cresceram e passaram a pedir sua saída até que o ministro da Defesa, Awad Mohamed Ahmed Ibn Auf, anunciou sua deposição em 11 de abril.