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Agendada para sexta, saída britânica do bloco pode ficar para início de 2020; May tenta conseguir que acordo de divórcio seja ratificado pelo Parlamento

Brexit
Reprodução/Twitter/Lisa O'Carroll
Dezembro de 2019 e março de 2020 foram mencionados como possíveis prazos para o Brexit

A Alemanha e outras potências da União Europeia indicaram que aceitarão o pedido da primeira-ministra do Reino Unido , Theresa May, de mais um adiamento da separação da União Europeia, mas o presidente da França, Emmanuel Macron, tentará limitar a influência britânica enquanto o país se ocupa da desfiliação.

Como sinal do quanto a crise de três anos do Brexit minou o poder britânico, May correu a Berlim e Paris nesta terça-feira para pedir à chanceler alemã, Angela Merkel, e a Macron que concedam uma segunda prorrogação à quinta economia do mundo, adiando a saída britânica – agendada para a próxima sexta-feira – até 30 de junho.

Mais de uma semana depois do prazo original de saída do Reino Unido, a premiê britânica luta para conseguir que um acordo de divórcio seja ratificado por um Parlamento dividido e disse temer que o Brexit nunca aconteça.

Depois que sua promessa de renunciar tampouco garantiu a aprovação do acordo, ela iniciou conversas emergenciais com o Partido Trabalhista opositor na esperança de romper o impasse doméstico antes da próxima data de saída, 12 de abril. Mas ao chegar ao Palácio do Eliseu de Paris, a primeira-ministra não tinha nenhum avanço com os trabalhistas para mostrar.

“As pessoas estão cansadas e irritadas, mas o que fazer?”, indagou um diplomata da UE. “Não seremos nós que empurraremos o Reino Unido para o precipício.”

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Outra autoridade da UE envolvida com o Brexit disse que uma prorrogação é muito provável, já que nenhuma potência europeia quer o caos que teme que uma saída sem acordo semearia nos mercados financeiros e na economia de 16 trilhões de dólares dos 27 outros membros do bloco.

“Ninguém quer puxar o fio da tomada em 13 de abril”, disse o funcionário. “Mas por quanto tempo, não sei. E a França fará muitas perguntas em Bruxelas.”

Pouco depois de May pousar em Paris, uma autoridade do gabinete de Macron disse que, “no caso de um adiamento prolongado, um ano nos pareceria longo demais”.

Ele acrescentou que, se o Reino Unido de fato adiar a saída, não deveria participar das negociações orçamentárias da UE nem escolher o próximo presidente de sua comissão executiva.

O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, disse que Macron não vetaria a prorrogação de May, mas que quer impor condições.

O chanceler de Luxemburgo, Jean Asselborn, afirmou que o Reino Unido “com certeza não deixará a UE na sexta-feira sem um acordo”.

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A cúpula desta quarta-feira em Bruxelas terá como principal tema uma proposta do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, para que o prazo de saída seja prorrogado, permitindo ao Parlamento britânico que ratifique o acordo negociado entre a premier e a UE.

“Nossas experiências até o momento, assim como as profundas divisões na Câmara dos Comuns, nos dão poucas razões para crer que o processo de ratificação possa ser completado no final de junho”, afirmou Tusk em sua carta de convite a líderes europeus.

A agência Reuters teve acesso a rascunhos de um novo acordo de saída, no qual a UE se compromete a estender o prazo de saída “somente pelo tempo necessário” e fixa uma nova data – ainda não determinada, mas inferior a um ano – para que o Reino Unido deixe oficialmente o bloco europeu.

De acordo com a rede britânica BBC, após um encontro do Conselho de Assuntos Gerais da UE em Luxemburgo, a vasta maioria dos diplomatas se mostrou favorável a uma extensão mais longa. Embora não se tenha chegado a nenhum consenso sobre datas, dezembro de 2019 e março de 2020 foram mencionados como possíveis prazos para a saída britânica.

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