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72 chefes de estado participaram de solenidade marcada por protesto do Femen; Macron critica "nacionalismo" e "obscurantismo contemporâneo"

Centenário do fim da Primeira Guerra Mundial foi lembrado em evento realizado no Arco do Triunfo, na França
Reprodução/Twitter - @Elysee
Centenário do fim da Primeira Guerra Mundial foi lembrado em evento realizado no Arco do Triunfo, na França

Mais de 70 chefes de estado se reuníram neste domingo (11) em cerimônia para lembrar os 100 anos do  armistício da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), conflito que levou à reconfiguração de toda a Europa e por impor uma série de derrotas aos alemães – que, 21 anos mais tarde, invadiriam a Polônia e iniciariam o genocídio nazista da Segunda Guerra.

O presidente francês, Emmanuel Macron, foi o anfitrião da solenidade, realizada no Arco do Triunfo em Paris, na França. Durante seu discurso, ele defendeu o "legado de paz" deixado pelo encerramento da Primeira Guerra Mundial  pregou a união internacional contra a ignorância, a fome, o aquecimento global e o "obscurantismo contemporâneo".

"A lição da Grande Guerra não pode ser a de rancor de um povo contra outro. [...] O patriotismo é exatamente o contrário do nacionalismo e do egoísmo. Somemos nossas esperanças no lugar de colocarmos nosso medo uns aos outros", disse Macron.

Também estavam presentes à cerimônia a premiê alemã, Angela Merkel; o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker; o presidente norte-americano, Donald Trump ; e o russo Vladimir Putin.

Ainda neste domingo, o papa Francisco também relembrou o armistício da Primeira Guerra em missa celebrada no Vaticano, afirmando que o episódio faz uma "severa chamada a rejeitar a cultura de guerra e a buscar todos os meios legítimos para pôr fim a conflitos".

Nesse sábado (10), Trump teve reunião particular com Macron e também se encontrou com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. A portas fechadas, os dois conversaram por 45 minutos e discutiram uma reação conjunta pela morte do jornalista Jamal Khashoggi , assassinado dentro de embaixada da Arábia Saudita.

Antes da cerimônia em memória ao armistício, ao menos duas manifestantes do grupo Femen conseguiram burlar a barreira policial e protestar em frente ao carro que transportava Donald Trump na avenida Champs-Élysées. As mulheres, com os seios nus, exibiam inscrições como "falsos pacificadores", "criminosos de guerra" e "parada da hipocrisia", em críticas às lideranças mundiais.

Manifestante do Femen protesta antes da cerimônia:


O fim da Primeira Guerra Mundial 

A Primeira Guerra foi oficialmente encerrada no dia 11 de novembro de 1918, quando o Exército da Alemanha concordou com um armísticio dias depois de o Império Austro-Húngaro, seu parceiro na Tríplice Aliança, fazer o mesmo, no dia 4, garantindo a vitória dos Aliados – representados principalmente pela França e pelo Império Britânico. Os EUA entraram no conflito em 1917, mesmo ano em que a Rússia o abandonou como resultado da Revolução de Outubro, que culminaria com o início do período soviético no país.

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Além do desenvolvimento de armamentos pesados até então inexistentes, entre as consequências da Primeira Guerra Mundial houve a desintegração dos impérios Otomano e Austro-Húngaro, o fortalecimento dos EUA no cenário mundial e a assinatura do Tratado de Versalhes, em 1919, que impôs uma série de penalidades à Alemanha – entre elas a perda de colônias como Alsácia e Lorena, entregues à França – que colaborariam para reforçar o revanchismo no país e levá-lo a iniciar o conflito seguinte, no qual mais de 70 milhões perderiam suas vidas.

*Com informações e reportagem da Ansa

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