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Equipes de resgate registraram 75 mortes, no entanto, 23 foram reconhecidas - o que pode diminuir o número de desaparecidos; entenda

Explosões fizeram com que mais de 3 mil pessoas fossem evacuadas na Guatemala
Reproduçao TV Globo
Explosões fizeram com que mais de 3 mil pessoas fossem evacuadas na Guatemala

As buscas pelos 192 desaparecidos depois que o  Vulcão de Fogo entrou em erupção na Guatemala continuam nesta quarta-feira (6). As equipes de resgate informaram que, até o momento, foram confirmadas 75 mortes, mas apenas 23 pessoas foram identificadas. Há ainda, 46 feridos e 3.271 pessoas foram evacuadas.

Segundo o secretário-executivo da Coordenadora Nacional para Gestão de Desastres (Conred), Sergio García, explicou que o número de desaparecidos na Guatemala pode diminuir, já que muitos corpos já localizados não foram reconhecidos ainda.

“Praticamente todos os desaparecidos estão identificados, suas idades e de que comunidade eram”, disse ele à agência Deutsche Welle.

Na terça-feira (6), o trabalho dos bombeiros foi interrompido por conta de uma nova atividade eruptiva do vulcão que obrigou as equipes de resgate a deixar o local, segundo o Instituto Nacional de Sismologia, Vulcanologia, Meteorologia e Hidrologia (Insivumeh).

Devido às grandes colunas de fumaça e fragmentos, as autoridades foram obrigadas a retirar moradores de suas casas
Reprodução/Twitter
Devido às grandes colunas de fumaça e fragmentos, as autoridades foram obrigadas a retirar moradores de suas casas

A explosão lançou lava na parte sul do vulcão, que fica a 3.763 metros de altura, situado a cerca de 50 quilômetros da capital. A erupção aconteceu no domingo (3), atingindo cerca de 1,7 milhão de pessoas, considerada a mais forte desde 1974, de acordo com as autoridades locais.

Os departamentos atingidos foram os de Sacatepéquez, Chimaltenango e Escuintla. O aumento da atividade vulcânica provocou pânico nas cidades, o que deixou os moradores apavorados. Muitos entraram em seus automóveis para fugir das proximidades do vulcão, o que provocou um caos no tráfego de veículos.

Esta é a segunda erupção do Vulcão de Fogo em 2018, mas é considerada a mais forte desde 1974. Ele é um dos mais ativos da América Central.

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Efeitos semelhantes aos de Pompeia

De acordo com especialistas, os efeitos da erupção do Vulcão de Fogo são similares aos do vulcão Vesúvio, na Itália, em sua erupção no ano de 79 d.C., que causou a devastação e o soterramento da cidade de Pompeia. Isso é o que afirma o vulcanologista Piergiorgio Scarlato, do Instituto Nacional Italiano de Geofísica e Vulcanologia (INGV).

"O impacto dessa erupção sobre a população é parecida com o de Pompeia ", disse Scarlato, que comentou ainda que o Vulcão de Fogo gerou colunas de cinzas e gás de 3km a 4 km, além de fluxo piroclástico, ou seja, uma mistura de gás e material vulcânico.

"O Vesúvio, na erupção de 79 d.C., produziu uma coluna de gás e cinzas de 20 km a 25 km que, colapsando sobre si mesma, também gerou um fluxo piroclástico parecido com o Vulcão de Fogo", afirmou.

Scarlato explicou ainda que a erupção na Guatemala atingiu uma temperatura de ao menos 700ºC, que causou o derretimento de tudo o que a lava "encontrou, das árvores às rochas". "O fluxo de material vulcânico se locomoveu a uma velocidade de 100 km/h que, ao chegar aos centros urbanos, provoca mortes", disse.

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