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Secretário de Estado norte-americano afirmou que o governo iraniano deve cumprir uma lista de 12 exigências; presidente iraniano rebateu as ameaças e disse que os Estados Unidos não mandam mais no mundo e nem no país persa

Parlamentares do Irã queimaram uma bandeira dos EUA no Parlamento de Teerã e questionaram 'capacidade mental' de Trump
Reprodução/NYMag
Parlamentares do Irã queimaram uma bandeira dos EUA no Parlamento de Teerã e questionaram 'capacidade mental' de Trump

Os Estados Unidos prometeu adotar as "sanções mais fortes da história" contra o Irã caso o país persa não mudar a postura em relação a seu programa nuclear e balístico. Segundo o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo,  para impedir essas medidas, o governo iraniano deve cumprir uma lista de 12 exigências, como interromper o enriquecimento de urânio e plutônio e garantir "acesso a todas" as plantas nucleares do país, medidas já previstas pelo acordo rompido pelos próprios Estados Unidos .

O secretário de Estado cobrou ainda a libertação de todos os cidadãos norte-americanos, o fim das ameaças a Israel, a retirada das forças iranianas da Síria e a interrupção do apoio aos rebeldes xiitas houthis no Iêmen - nestes dois últimos países, o Irã trava guerras por procuração contra a Arábia Saudita, aliada dos Estados Unidos.

Caso Teerã faça "mudanças significativas", Pompeo disse que os Estados Unidos estariam dispostos a "levantar todas as sanções" e a recuperar "plenamente as relações diplomáticas e comerciais".

As declarações tiveram resposta imediata do presidente do iraniano, Hassan Rohani. "Quem é você para decidir pelo Irã e pelo mundo? Esses tempos acabaram. O governo Trump fez os americanos voltarem 15 anos no tempo, mas hoje o mundo não aceita mais que os EUA decidam pelos outros", disse o mandatário.

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Fim de acordo nuclar

Donald Trump retirou seu país do acordo nuclear no último dia 8 de maio, mas França, Alemanha e Reino Unido abriram negociações com Teerã para manter o tratado. A Rússia, aliada do país iraniano, também critica a medida dos EUA e alega que o rompimento do pacto pode favorecer o radicalismo no país persa.

O "Plano de Ação Conjunta Global" (JCPOA, na sigla em inglês) foi assinado em 2015 e também envolveu Alemanha, China, França, Reino Unido e Rússia, além da União Europeia. Durante os últimos dias, o presidente francês, Emmanuel Macron, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o secretário britânico de Relações Exteriores, Boris Johnson, viajaram a Washington para tentar demover Trump, sem sucesso.

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O tratado previa a eliminação dos bloqueios impostos à economia iraniana nos últimos anos. Em troca, o Irã se comprometeu a limitar suas atividades atômicas, incluindo a interrupção do enriquecimento de urânio na usina de Fordow e a redução de suas centrífugas, que passarão de 19 mil para 6,1 mil em 10 anos.

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