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Henri Falcón e Javier Bertucci denunciaram irregularidades cometidas por chavistas do PSUV nos arredores dos centros de votação. Entenda acusações

Opositores de Nicolás Maduro denunciaram fraudes nas eleições presidenciais venezuelanas
Divulgação/Governo da Venezuela - 30.7.2017
Opositores de Nicolás Maduro denunciaram fraudes nas eleições presidenciais venezuelanas

Os dois principais candidatos rivais do presidente Nicolás Maduro na Venezuela , Henri Falcón e Javier Bertucci , denunciaram fraudes nas  eleições presidenciais deste domingo (20). Além de acompanhar eleitores na cabine de votação, os concorrentes acusaram os governistas de uma espécie de "compra de votos".

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Segundo denunciou o ex-chavista que se candidatou para concorrer com Maduro, Henri Falcón, os governistas apoiadores de Nicolás Maduro montaram os chamados "pontos vermelhos" muito próximos e até dentro dos locais de votação.

"Compra" de votos

Nesses pontos, os eleitores deveriam apresentar o chamado "cartão da pátria" que seria escaneado para saber quais benefícios sociais o eleitor recebia. A partir daí, eles teriam que enviar uma mensagem para um número de celular que recebiam para, enfim, ganhar uma recompensa prometida por Maduro durante a campanha que chegava a até 10 milhões de bolívares (cerca de US$ 10). A título de comparação, o salário mínimo venezuelano é de cerca de US$ 37.

"A situação é generalizada, com a instalação de pontos vermelhos como mecanismo de pressão, de chantagem política, social. Querem mais uma vez comprar a dignidade de um setor da população", disse.

Pela legislação vigente, qualquer posto desse tipo deveria estar instalado a pelo menos 200 metros de distância do local de votação para respeitar uma espécie de cerco de neutralidade para os eleitores. Além disso, a justiça venezuelana havia determinado que essa espécie de pagamento não poderia ser distribuída. Mesmo assim, Henri Falcón relatou que recebeu pelo menos 350 denúncias de pagamentos sendo realizados até mesmo dentro dos locais de votação.

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Voto assistido

Outro candidato à presidência da Venezuela, o pastor Javier Bertucci, que chamou atenção durante sua campanha por distribuir sopa e refeições em seus comícios, também relatou ter recebido cerca de 300 denúncias de irregularidades em relação aos pagamentos e, sobretudo, ao voto assistido.

Segundo ele, acompanhantes estavam levando eleitores até às urnas para ajudá-los no processo. O auxílio só deveria ser autorizado para idosos ou pessoas com alguma incapacidade, mas estavam sendo utilizado arbitrariamente. "Como não denunciar quando se leva as pessoas a votar como se fossem cordeirinhos? É preciso que se dê liberdade às pessoas", exclamou Bertucci.


Boicote e abstensão

Os principais partidos de oposição venezuelanos realizaram um boicote às eleições convocadas pelo governo após mudara a constituição do país. Eles pediram aos eleitores para que não fossem votar e as primeiras informações que estão sendo apuradas ao final da votacão dão conta de que cerca de 60% dos venezuelanos não compareceu às urnas. O voto na Venezuela é facultativo.

Dessa forma, Maduro e os demais candidatos passaram todo o dia pedindo para que os eleitores fossem às urnas para escolher o presidente que vai assumir o mandato de seis anos. O próprio pagamento de cerca de US$ 10 seria uma forma de estimular essa participação e dar maior credibilidade ao resultado das urnas.


A maioria da comunidade internacional, entretanto, declarou antes mesmo de qualquer resultado ser anunciado que não reconheceria o resultado da eleição presidencial. Dessa forma, não  há perspectiva de que o país consiga sair da crise econômica, social e política que enfrenta diante dos embargos internacionais que devem se suceder.

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Dessa forma, todas as agências internacionais indicam que Nicolás Maduro , do partido chavista PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) deverá vencer as eleições com larga vantagem.

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