Tamanho do texto

Entidade afirma que risco de transmissão dentro do país é "muito alto", mas que as chances de se tornar uma emergência internacional é "baixa"

Médicos da OMS e Médicos Sem Fronteiras foram enviados ao Congo para aplicar a vacina contra o vírus Ebola
shutterstock
Médicos da OMS e Médicos Sem Fronteiras foram enviados ao Congo para aplicar a vacina contra o vírus Ebola

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que a República Democrática do Congo enfrenta um risco “muito alto” para a transmissão do vírus Ebola, mas o risco global de transmissão é considerado “baixo”.

A declaração foi feita nesta sexta-feira (18) em uma reunião convocada pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que manifestou preocupação diante do cenário registrado no país africano em relação aos casos do vírus Ebola .

Apesar de não ser uma ameaça para outros continentes, a entidade admitiu que há chances do vírus ultrapassar a fronteira do Congo para países vizinhos, conforme informou a agência Reuters .

Desde o início da semana, mais cinco casos de infecção pelo vírus foram notificados no Congo , incluindo um caso confirmado laboratorialmente em Mbandaka, área urbana no país. A cidade tem uma população de cerca de 1,5 milhão de habitantes e é motivo de grande preocupação por parte de organismos internacionais que acompanham o surto.

“Informações sobre a extensão do surto ainda são limitadas e as investigações estão em progresso. O caso confirmado em Mbandaka, grande centro urbano localizado ao longo de um rio de porte nacional e internacional, estradas e rotas de voo doméstico, aumenta o risco de disseminação na República Democrática do Congo e em países vizinhos”, informou a OMS em nota.

O país registra, desde o dia 4 de abril a 17 de maio, 45 casos notificados de Ebola, incluindo 25 mortes. Entre os casos, 14 foram confirmados, e os outros estão classificados como prováveis e suspeitos.

A entidade ressaltou que a avaliação de risco para a saúde pública da população do Congo é classificada como como “muito alta”, em nível nacional, e “alta”, em nível regional. O risco global permanece baixo. “Na medida em que mais informações forem chegando, a avaliação de risco será revista”, escreveu em um comunicado.

Apesar de não pensar em restringir viagens ao Congo, a emergência levanta um alerta internacional para que países possam monitorar de maneira mais intensa uma possível chegada do vírus.

Risco em área urbana

Até então, os relatórios anteriores de incidência do vírus partiram de áreas remotas, onde o surto pode ser contido mais facilmente.

No entanto, ao confirmar a doença em um grande centro urbano, o risco de disseminação dentro do Congo e em países vizinhos aumenta.

De acordo com o vice-diretor de Prontidão e Reação de Emergência da OMS, Peter Salama, o fenômeno do Ebola urbano é diferente do rural, por isso o alerta. “Sabemos que as pessoas das áreas urbanas podem ter muito mais contatos, então isso significa que o ebola urbano pode resultar em um aumento exponencial de casos de uma maneira que o ebola rural tem dificuldade para fazer", afirmou.

O que as autoridades mais temem é um surto em Kinshasa, a cidade superpovoada, com milhões de pessoas morando em favelas insalubres sem acesso a saneamento básico.

Vacina experimental

A OMS deve iniciar, no próximo domingo (20), vacinação em caráter experimental contra o Ebola em comunidades da República Democrática do Congo. De acordo com Ghebreyesus, a dose foi considerada segura e eficaz.

“É uma vacina que acreditamos pode nos ajudar como parte da resposta [ao surto de ebola], mas não vamos nos apoiar apenas nisso”, explicou. Segundo ele, a OMS e seus parceiros concentram esforços também em ações básicas de prevenção e no controle da doença.

“A vacina é uma de muitas partes de uma resposta coordenada”, reforçou o diretor-geral da organização. A vacinação na República Democrática do Congo será conduzida pela OMS em parceria com a organização Médicos sem Fronteira e com o Ministério da Saúde do país.

De acordo com a OMS, a dose em questão foi utilizada em diversos ensaios envolvendo mais de 16 mil voluntários na Europa, na África e nos Estados Unidos e se mostrou segura para o uso em humanos. A entidade ressaltou ainda que a vacina apresentou resultados altamente eficazes na proteção contra a doença.

A mesma vacina já havia sido utilizada pela organização na Guiné em 2015. A estratégia, este ano, é repetir a chamada vacinação em anel, onde todas as pessoas que tiveram contato com um novo caso confirmado de Ebola são rastreadas e recebem a dose, no intuito de frear a transmissão do vírus.

*Com informações da Agência Brasil

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.