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Fim do seu mandato acontece em meio a uma crise gerada a partir de vídeos divulgados pela oposição, que deram início a investigações contra o peruano

Kuczynski apresentou renúncia hoje e colocou fim a um governo marcado por atritos entre o Executivo e o Congresso
Reprodução/Twitter
Kuczynski apresentou renúncia hoje e colocou fim a um governo marcado por atritos entre o Executivo e o Congresso

Depois de 7 anos no poder, Pedro Pablo Kuczynski (PPK) apresentou, nesta quarta-feira (21), uma carta de renúncia ao seu cargo de presidente do Peru. O fim do seu mandato acontece em meio a uma crise política gerada a partir de vídeos divulgados pela oposição, que deram início a investigações contra o peruano, a respeito de compra de votos em troca de obras.

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Com isso, o turbulento governo de Kuczynski chega ao fim, marcado por constantes atritos entre o Poder Executivo e o Congresso. De acordo com o jornal peruano La Republica , a renúncia do presidente foi apresentada ao Congresso na tarde de hoje e ele estaria planejando anunciar a sua decisão ao povo, em um pronunciamento ainda antes do fim do dia. 

Ainda segundo a publicação, a decisão de PPK abandonar o cargo foi tomada em uma reunião o Conselho de Ministros, realizada nesta terça-feira.

PPK tomou posse em julho de 2016, após derrotar Keiko Fujimori nas urnas. Ele deve deixar oficialmente o cargo assim que sua renúncia seja aceita pelo Congresso. Ele deverá ser substituído pelo vice-presidente Martín Vizcarra. 

Destituição do governo

A decisão foi tomada um dia antes do Congresso votar a possível destituição de Kuczynski, devido aos escândalos dos vídeos divulgados pela oposição.  As imagens foram reveladas pelo partido Fuerza Popular.

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O escândalo foi chamado de "Kenjivideos", uma referência ao deputado Kenji Fujimori, filho do ex-presidente Alberto Fujimori, que aparece no vídeo tentando comprar votos.

Antes disso, o presidente já havia sido alvo de uma tentativa de impeachment em dezembro passado, quando se livrou por apenas oito votos. Um dos que se abstiveram da votação, contribuindo para a manutenção de Kuczynski no poder, foi Kenji.

Condenado a 25 anos de prisão por violações dos direitos humanos, corrupção e apoio a esquadrões da morte, Fujimori recebeu um indulto "humanitário" de Kuczynski poucos dias depois da derrota do pedido de impeachment no Congresso, o que foi vista como uma trocas de favores.

Eleito em 2016, Kuczynski é acusado de ter recebido propina da Odebrecht por meio de empresas de consultoria. A própria empreiteira brasileira disse que desembolsara US$ 4,8 milhões a duas firmas vinculadas ao mandatário peruano, entre 2004 e 2013. A renúncia de Kuczynski, portanto, pode ser relacionada ao escândalo que envolve a empreiteira brasileira. 

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* Com informações da Agência Ansa.