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Salvador del Solar estava sendo pressionado por ativistas de direitos humanos a deixar o cargo; presidente peruano deu perdão a condenado

Manifestante em Ayacucho: indulto de Natal a Alberto Fujimori motivou protestos em diversas cidades no Peru
Humberto Morales
Manifestante em Ayacucho: indulto de Natal a Alberto Fujimori motivou protestos em diversas cidades no Peru

O ministro da Cultura do Peru, Salvador del Solar, informou pelo Twitter sua renúncia ao cargo nesta quarta-feira (27), devido aos protestos pelo indulto concedido pelo presidente Pedro Pablo Kuczynski ao ex-presidente Alberto Fujimori. Del Solar agradeceu a Kuczynski por ter "dado a oportunidade de servir ao país".

O ministro do Peru , que também é ator e diretor, estava sendo pressionado por ativistas de direitos humanos e artistas para que deixasse o cargo, para ser coerente com sua defesa dos valores democráticos e de justiça.

Explicações e protestos

Depois de conceder um polêmico indulto de Natal ao ex-presidente Alberto Fujimori, o presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, chamou de "erros" os crimes contra a humanidade pelos quais o ex-ditador foi condenado a uma pena de 25 de prisão.

A mensagem de Kuczynski foi veiculada pela televisão a todo o país , na última segunda-feira (25). Além de amenizar a culpa de Fujimori em seus crimes, o presidente peruano apelou à saúde do ex-líder para justificar o  indulto de Natal .

Para ele, soltar Fujimori foi a decisão mais difícil da sua vida, mas, aos 79 anos, o ex-ditador já tinha cumprido perto da metade da pena e a sua saúde tinha se deteriorado.

"Trata-se da saúde e das possibilidades de vida de um ex-presidente peruano que, tendo cometido excessos e erros graves, foi sentenciado e já cumpriu 12 anos de condenação", argumentou. "Estou convencido de que, quem se sente democrata, não deve permitir que Alberto Fujimori morra na prisão. A justiça não é vingança".

O discurso do líder peruano iria bem se, após as palavras de compaixão, não houvesse uma defesa do seu controverso governo. 

Agora em liberdade e perdoado por seus crimes, Alberto Fujimori havia sido condenado em 2009 por ter autorizado a ação de grupos de extermínio contra civis durante sua ação contra a guerrilha. Ele foi considerado culpado pelas chacinas de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992), episódios que deixaram 25 pessoas mortas no país por ação de um grupo militar à paisana.

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Em seu pronunciamento em rede nacional, Kuczynski disse que Fujimori "incorreu em transgressões significativas da lei, do respeito à democracia e aos direitos humanos quando, nos anos 90, assumiu a presidência de um país afundado em uma crise violenta e caótica".

"Mas também acho que seu governo contribuiu para o progresso nacional", disse Kuczynski sobre o período presidencial de Fujimori (1990-2000), que em 1992 protagonizou um 'autogolpe' de Estado e, posteriormente, fugiu do país para renunciar por fax, quando estava no Japão, após a descoberta de uma trama de corrupção em seu governo.

O gesto do presidente provocou revolta em grande parte da população, que foi às ruas de cidades como Lima e Ayacucho em plena véspera de Natal para protestar contra o indulto. Alguns poucos aliados ao ex-presidente também fizeram manifestações discretas para celebrar a decisão.

Filha de Fujimori e líder do partido Força Popular, Keiko comemorou o perdão ao seu pai por meio de sua conta no Twitter. "Hoje é um grande dia para minha família e para o fujimorismo! Finalmente meu pai está livre. Este será um Natal de esperança e alegria!", escreveu.

De acordo com a agência Reuters, outro ministro do Peru contrário ao indulto deve pedir demissão após a decisão do presidente. Além da renúncia do ministro da Cultura, outras pessoas ligadas ao governo deixaram seus cargos ou passaram para a oposição.

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