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Induto de Natal concedido por Kunczynski ao ex-presidente gerou uma série de protestos pelo país; na TV, líder peruano apelou à fraca saúde de Fujimori

Na televisão, presidente Kuczynski defende indulto de Natal concedido ao ex-ditador Fujimori
Reprodução/TV Perú
Na televisão, presidente Kuczynski defende indulto de Natal concedido ao ex-ditador Fujimori

Depois de conceder um polêmico indulto de Natal ao ex-presidente Alberto Fujimori , o presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski , chamou de "erros" os crimes contra a humanidade pelos quais o ex-ditador foi condenado a uma pena de 25 de prisão.

A mensagem de Kuczynski foi veiculada pela televisão a todo o país, nesta segunda-feira (25). Além de amenizar a culpa de Fujimori em seus crimes, o presidente peruano apelou à saúde do ex-líder para justificar o indulto de Natal .

Para ele, soltar Fujimori foi a decisão mais difícil da sua vida, mas, aos 79 anos, o ex-ditador já tinha cumprido perto da metade da pena e a sua saúde tinha se deteriorado.

"Trata-se da saúde e das possibilidades de vida de um ex-presidente do Peru que, tendo cometido excessos e erros graves, foi sentenciado e já cumpriu 12 anos de condenação", argumentou. "Estou convencido de que, quem se sente democrata, não deve permitir que Alberto Fujimori morra na prisão. A justiça não é vingança".

O discurso do líder peruano iria bem se, após as palavras de compaixão, não fouvesse uma defesa do seu controverso governo. 

Agora em liberdade e perdoado por seus crimes, Alberto Fujimori havia sido condenado em 2009 por ter autorizado a ação de grupos de extermínio contra civis durante sua ação contra a guerrilha. Ele foi considerado culpado pelas chacinas de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992), episódios que deixaram 25 pessoas mortas no Peru por ação de um grupo militar à paisana.

Leia também: Por que o fujimorismo continua tendo apoio no Peru?

Em seu pronunciamento em rede nacional, Kuczynski disse que Fujimori "incorreu em transgressões significativas da lei, do respeito à democracia e aos direitos humanos quando, nos anos 90, assumiu a presidência de um país afundado em uma crise violenta e caótica".

Manifestante em Ayacucho: indulto de Natal a Alberto Fujimori motivou protestos em diversas cidades no Peru
Humberto Morales
Manifestante em Ayacucho: indulto de Natal a Alberto Fujimori motivou protestos em diversas cidades no Peru

"Mas também acho que seu governo contribuiu para o progresso nacional", disse Kuczynski sobre o período presidencial de Fujimori (1990-2000), que em 1992 protagonizou um 'autogolpe' de Estado e, posteriormente, fugiu do país para renunciar por fax, quando estava no Japão, após a descoberta de uma trama de corrupção em seu governo.

O gesto do presidente provocou revolta em grande parte da população, que foi às ruas de cidades como Lima e Ayacucho em plena véspera de Natal para protestar contra o indulto. Alguns poucos aliados ao ex-presidente também fizeram manifestações discretas para celebrar a decisão.

Filha de Fujimori e líder do partido Força Popular, Keiko comemorou o perdão ao seu pai por meio de sua conta no Twitter. "Hoje é um grande dia para minha família e para o fujimorismo! Finalmente meu pai está livre. Este será um Natal de esperança e alegria!", escreveu.

De acordo com a agência Reuters , ao menos dois ministros de Kuczynski contrários ao indulto pediram demissão após a decisão do presidente. Outros dois parlamentares do partido governista pediram a desfiliação.

Impeachment por indulto?

Os críticos de Kuczynski acusam o presidente de ter concedido o indulto de Natal em troca do apoio recebido por deputados fujimoristas na  votação que rejeitou seu impeachment, na última sexta-feira (22) . O governo nega que tenha existido qualquer acordo nesse sentido. 

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