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Partido mais votado é o conservador Cidadãos (CS), mas outras três siglas pró-independência garantiram cadeiras no Parlamento; votação ocorre após meses de indefinição em um contexto político delicado com o governo

Eleições na Catalunha foram antecipadas após o governo da Espanha ter acionado o artigo 155 da Constituição
Reprodução/Twitter
Eleições na Catalunha foram antecipadas após o governo da Espanha ter acionado o artigo 155 da Constituição

Por uma maioria bastante estreita, os partidos separatistas da Catalunha venceram nesta quinta-feira (21) as eleições antecipadas. A população foi às urnas para escolher os 135 membros do Parlamento para os próximos quatro anos. A votação ocorre após meses de indefinição em um contexto político delicado. O processo de independência da região começou com um referendo realizado no dia 1º de outubro e considerado ilegal pelo governo da Espanha.

Mariano Rajoy, primeiro-ministro da Espanha , acionou o artigo 155 da Constituição, que destituiu políticos que participaram da tentativa independentista, suspendeu temporariamente a autonomia da Catalunha e convocou novas eleições .

Apesar de nenhum dos três movimentos pró-independência ter sido o mais votado pelos catalães, eles podem, juntos, garantir o controle do Parlamento regional. Com 97,47% das cédulas escrutinadas, a lista de centro-direita Juntos pela Catalunha, do presidente destituído Carles Puigdemont, que está no exílio na Bélgica, conquistou 21,77% dos votos, o que lhe garante 34 assentos no Parlamento.

Já o partido Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), liderado por Oriol Junqueras, que está preso por "rebelião", tem 21,51% (32 cadeiras). Somando com os quatro assentos (4,47% dos votos) da sigla separatista de extrema esquerda Candidatura de Unidade Popular (CUP), os separatistas terão 70 das 135 cadeiras no Parlamento regional, apenas duas a mais do que o necessário para garantir a maioria.

Por outro lado, o partido mais votado é o conservador Cidadãos (CS), com 25,47%, que deve ter 36 cadeiras no Legislativo. Já o Partido dos Socialistas da Catalunha (PSC), que era a favor do plebiscito de independência, mas não da separação, terá 17 (13,93%).

Em seguida aparece o Catalunha em Comum (CatComú), movimento da prefeita de Barcelona, Ada Colau, que também foi contra o rompimento unilateral com  o país espanhol, embora tenha apoiado a consulta popular separatista. Com 7,46% dos votos, o CatComú terá oito cadeiras.

Por fim, o Partido Popular (PP), do primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, pagou o preço da repressão da polícia nacional contra participantes do plebiscito e tem apenas 4,25% dos votos, o que lhe dará somente quatro assentos no Parlamento.

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Como os separatistas desconfiam de Madri, a contagem dos votos também foi feita pela Assembleia Nacional Catalã (ANC), entidade da sociedade civil até pouco tempo atrás presidida por, Jordi Sánchez, um dos presos sob acusação de rebelião - ele também é o "número 2" na lista de Puigdemont nas eleições.

Crise institucional

As eleições na Catalunha foram antecipadas após o governo espanhol ter acionado o artigo 155 da Constituição por causa da declaração unilateral de independência aprovada em meados de outubro, resultado do plebiscito do dia 1º do mesmo mês.

Por meio desse instrumento, Madri dissolveu o Parlamento regional e destituiu o então presidente da comunidade autônoma, Carles Puigdemont, e seu vice, Oriol Junqueras, além de todos os secretários regionais. Desde então, a Catalunha está sob administração espanhola.

Madri também iniciou uma cruzada nos tribunais contra os idealizadores do plebiscito, que culminou na prisão de Junqueras, de outros membros do governo regional e de líderes de movimentos pró-independência, acusados de "rebelião".

Já Puigdemont, para escapar da cadeia, s e autoexilou na Bélgica com quatro ex-secretários e lá permanece atualmente . No cenário atual, o líder do segundo partido mais votado, Junqueras, está preso, e o do terceiro, Puigdemont, exilado. Embora denunciados, eles não foram impedidos de disputar as eleições regionais.

O novo governo deve ser empossado em janeiro de 2018, mas ainda resta muita incerteza sobre qual será a relação da região com Madri, após a crise institucional que abalou a Espanha em 2017. 

* Com informações da Agência Ansa

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