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Ministro da Defesa pediu saída de Marcelo Srur, em meio a uma crise hierárquica na instituição; comissão independente irá investigar as causas do desaparecimento, com a presença do pai de um dos tripulantes

Porta-voz da Marinha Argentina, Enrique Balbi, informou sobre as mudanças dentro da Marinha
Divulgação/Armada Argentina
Porta-voz da Marinha Argentina, Enrique Balbi, informou sobre as mudanças dentro da Marinha

O governo da Argentina destituiu o chefe da Marinha , Marcelo Srur, após o início da investigação sobre o  desaparecimento do submarino ARA San Juan , há um mês. As informações são da imprensa argentina.

Segundo o jornal Télan , o ministro da Defesa argentino, Oscar Aguad, solicitou que Srur, chefe do Estado-Maior Geral da força naval, antecipasse sua aposentadoria. Além disso, designou um substituto interino, enquanto o responsável por submarinos da Marinha será encarregado da investigação em curso. Entre os motivos que levaram à decisão, está o fato de que Srur deveria ter relatado o sumiço do submarino mais rapidamente à Aguad, que estava no Canadá, em missão oficial.

Além disso, na quarta-feira (13), o porta-voz da Marinha informou que outro oficial da corporação também foi afastado, o comandante de Alistamento e Treinamento, contra-almirante Luis Lopez Mazzeo. Ele era, até antes do sumiço do submarino, o nome mais cotado para substitui Srur no comando das forças da Marinha.

Segundo o jornal El Clarín , a saída de Mazzeo criou uma crise sem precedentes na instituição, com o pedido de demissão feito por vários comandantes em solidariedade a Mazzeo. Pediram afastamento o comandante de Aposentadoria Forçada de Aviação Naval, almirante Gustavo Vignale; do Corpo de Fuzileiros Navais,  almirante Bernardo Noziglia; e da Frota Naval, contra-almirante Rafael Pietro.

Uma fonte oficial, ouvida pelo Clarín , afirmou que "a crise interna na Marinha causou uma deterioração que impediu garantir transparência e imparcialidade na investigação das causas da tragédia de San Juan" e que foi preciso "restaurar a cadeia de comando”.

Comissão de investigação

Em meio a todas as substituições, a Marinha também anunciou a formação de uma comissão investigadora composta por três submarinistas, entre eles o capitão Jorge Bergallo, pai do capitão Jorge Ignacio Bergallo, um dos 44 tripulantes desaparecidos no submarino.

A comissão será independente do Ministério da Defesa e terá orçamento próprio e ilimitado, "a fim de poder chegar à verdade do que aconteceu com o submarino", indicaram  fontes oficiais, em um esforço de criar transparência nas investigações.

Desaparecimento

O ARA San Juan, das forças da Marinha da Argentina, partiu de Ushuaia, no extremo sul do país, rumo a Mar del Plata, a 400 quilômetros da capital, Buenos Aires, no dia 13 de novembro. Quando sumiu, navegava a 430 quilômetros de distância da costa argentina, na altura do golfo San Jorge, entre as províncias Chabut e Santa Cruz.

No dia 23 de novembro,  o porta-voz da Marinha confirmou que "foi registrado um evento anômalo, curto, violento e não nuclear, equivalente a uma explosão ". No dia 28, a mídia argentina reportou que tripulantes do submarino relataram problemas envolvendo entrada de água no equipamento e  curto-circuito nas baterias horas antes do veículo sumir dos radares.

No dia 24, Luis Tagliapietra, pai de Alejandro Damián, um dos tripulantes, afirmou que depois da notícia de que o barulho de uma explosão pode estar ligado ao desparecimento do submarino, um dos chefes do seu filho foi prestar condolências a ele, confirmando as mortes dos passageiros .

Tagliapietra afirmou ainda que fez perguntas sobre quando e como pode ter ocorrido a explosão e se a embarcação havia seguido diretamente para o local de destino. Segundo ele, o chefe do seu filho afirmou que tudo estava em perfeitas condições e que o veículo estava seguindo o trajeto correto.

Atualmente, diversos navios de vários países continuam trabalhando na região nas buscas pelo submarino.

 *com informações da Agência Brasil