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Junts pel Sí
Referendo começou às 9h de acordo com o horário local; governo da Catalunha convoca cidadãos para votação

Nem a chuva e o clima de tensão entre a polícia e os civis inibiram os cidadãos da Catalunha de irem às urnas neste domingo (1º) para votar o referendo pela independência criado pelas autoridades regionais catalãs.

Porém, logo nas primeiras horas de votação na Catalunha , colégios eleitorais foram invadidos pela polícia, que retirou pessoas à força e ainda trocou tiros de borracha em embates com a população. A situação fez com que ao menos 844 pessoas precisassem de atendimento médico, de acordo com o Departamento de Saúde da Catalunha, por conta de ferimentos ou crises de ansiedade.

Segundo a imprensa internacional, os casos mais preocupantes são de um homem que foi ferido no olho por conta de uma bala de borracha e outro que sofreu um ataque cardíaco durante a reptirada de pessoas de um centro de votação.

O número alto assustou outros líderes da região, como a prefeita de Barcelona, Ada Colau, que acompou o referende desde o início. "Como prefeita de Barcelona, exijo o fim imediato das cargas policiais contra população indefesa", escreveu ela no Twitter quando o total de feridos não havia chegado ainda nem nos 500.

Registros de imagens que mostram policiais da Guarda Civil e da Polícia Nacional destruindo portas de um colégio eleitoral que esperava o presidente regional catalão, Carles Puigdemont, para votar, e civis sendo jogados ao chão pelas forças de segurança deixaram a situação ainda mais apreensiva.

A confusão se dá porque as autoridades em Madri consideram o plebiscito convocado pelo governo catalão ilegal, e diz que a Constituição declara que o país é indivisível. Segundo um porta-voz do governo regional, 73% das mesas eleitorais estava funcionando por volta das 11h em horário local.

Desde cedo, quando as eleições começaram, às 9h, em horário local (4h em Brasília), centenas de pessoas já estavam acampadas dentro e fora das escolas para garantir o direito de voto. Mais de 5,3 milhões de catalães foram convocados para participar. 

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Nos últimos dias, o governo espanhol enviou para a região mais de 10 mil agentes das forças de segurança, apreendeu milhões de cédulas de voto e 45 mil notificações que convocavam membros das mesas eleitorais.

Por conta da situação de insegurança, o jogo entre Barcelona e Las Palmas, marcado para a tarde deste domingo aconteceu de portões fechados para a torcida.

Separação

Íñigo Méndez de Vigo, porta-voz do gabinete presidencial, afirma que o referendo transgride as leis espanholas e carece de garantias democráticas, além de ser um "caos organizativo" sem censo, nem cédulas, nem urnas, nem centros oficiais de votação.

O desejo de separação por parte dos moradores da região, porém, vem de séculos atrás. Ainda hoje, os catalães mantém língua e tradições próprias, mesmo com a oposição do governo espanhol. Com 7,5 milhões de habitantes, a Catalunha responde por 20 % da riqueza do país, superior à de Portugal ou da Grécia, por exemplo.

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Apesar de cerca de 70% dos catalães defenderem a realização de um referendo dentro da legalidade, estudos de opinião indicam que os independentistas não têm a maioria, mas ganhariam no referendo pois iriam votar em massa. De acordo com o jornal português Diário de Notícias, uma pesquisa realizada pelo governo regional da Catalunha em julho revelou que os partidários da independência são 41,1% e os que são contrários à separação são 49,4%.

*Com informações da Agência Brasil e Ansa

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