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Decisão se deu quando o Cicig e o Ministério Público do país solicitou a retirada de imunidade do presidente para ser investigado; entenda caso

Jimmy Morales, é conhecido como o comediante que acabou vencendo as eleições presidenciais na Guatemala
Luis Soto/AP - 6.9.15
Jimmy Morales, é conhecido como o comediante que acabou vencendo as eleições presidenciais na Guatemala

O advogado colombiano Iván Velásquez, diretor da Comissão Internacional Contra a Impunidade (Cicig) foi expulso da Guatemala pelo presidente Jimmy Morales, que se declarou como persona non grata ao representante do órgão da ONU.

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O evento aconteceu neste domingo (27), depois de o Cicig e o Ministério Público da Guatemala solicitarem à Suprema Corte de Justiça o fim da imunidade de Morales, na última sexta-feira (27). O pedido é para que o presidente guatemalteco seja investigado pelo crime de financiamento eleitoral ilegal.

"No exercício das minhas premissas constitucionais e em conformidade com o Artigo 183, inciso C, da Constituição, declaro Iván Velásquez persona non grata na qualidade de diretor da Cigic e ordeno que ele deixe imediatamente a Guatemala", afirmou Morales.

Para que a retirada de Velásquez, que está no comando da Cicig desde 2013, seja efetiva, Morales já delegou ao ministro de Relações Exteriores, Carlos Raúl Morales, que realize medidas diplomáticas necessárias para isso.

Em sua decisão, o presidente utilizou trechos da Convenção de Viena e do acordo assinado em 2006 entre o governo da Guatemala e a ONU para a criação da Cicig, instalada no ano seguinte no país como justificativa.

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Investigação

De acordo com a denúncia apresentada na sexta-feira, Morales teria recebido dinheiro na campanha que não foi declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No anúncio feito hoje, o presidente não explicou se declarou Velásquez como persona non grata por causa da acusação ou por outras razões.

Na última sexta-feira, durante uma reunião com o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, em Nova York, Morales pediu que a Cicig focasse apenas no seu mandato. O órgão foi criado para contribuir com o país na investigação e desarticulação de estruturas clandestinas dentro do setor público.

Um dos casos mais famosos investigados pela Cicig foi o batizado de "La Línea", que revelou um grande esquema de fraude nos portos da Guatemala. Foram presos por envolvimento no escândalo o ex-presidente Otto Pérez Molina e a ex-vice-presidente Roxana Baldetti.

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