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Motivo para tais reações são as declarações polêmicas do presidente norte-americano a respeito de quem seriam os responsáveis pela violência racista que causou conflito e uma morte no fim de semana, em Charlottesville

Donald Trump culpou tanto os neonazistas quanto os antirracistas sobre a violência em Charlottesville
Reprodução/CNN
Donald Trump culpou tanto os neonazistas quanto os antirracistas sobre a violência em Charlottesville

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , foi amplamente criticado por importantes figuras do Partido Republicano, depois que ele culpou "os dois lados" pela violência ocorrida no último fim de semana, em Charlottesville, na Virgínia, onde um neonazista atropelou uma multidão que protestava contra manifestações racistas. Em meio à confusão, uma mulher morreu. 

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Nesta terça-feira (15), Donald Trump publicou, em seu perfil no Twitter, uma mensagem com ênfase especial na responsabilidade da esquerda por, segundo ele, ter atacado os neonazistas. Durante uma coletiva de imprensa, Trump chegou a questionar uma jornalista: "O que acontece com a alt-left [esquerda alternativa] que atacou o que a senhora chama de alt-right [direita alternativa, racista]? Eles têm alguma culpa?".

O presidente da Câmara dos Representantes e terceira autoridade do país, Paul Ryan, criticou a "ambiguidade moral" neste conflito. "Devemos ser claros. A supremacia branca é repulsiva. Este fanatismo é contrário a tudo o que este país representa. Não pode haver ambiguidade moral", disse Ryan também no Twitter.

No Senado, as críticas também pipocaram, com declarações do veterano e ex-candidato presidencial John McCain, que rejeitou colocar neonazistas e antifascistas no mesmo saco, assim como fez Trump.

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"Não há equivalência moral entre racistas e americanos que se levantam para desafiar o ódio e a intolerância. O presidente dos Estados Unidos deveria dizê-lo", escreveu McCain na mesma rede social.

Já o governador de Ohio, ex-rival de Trump nas primárias republicanas, John Kasich, afirmou que não há equivalência possível entre os dois grupos. "Não há equivalente moral aos simpatizantes nazistas. Não pode haver lugar nos EUA, nem no Partido Republicano, para o racismo , antissemitismo, o ódio e o nacionalismo branco. Ponto".

Extrema direita concorda com Trump e racismo cresce nos EUA

Em contrapartida, as palavras de Trump foram bem recebidas pela  extrema-direita americana. O histórico dirigente do Ku Klux Klan, David Duke, enalteceu o presidente por "dizer a verdade" sobre o ocorrido em Charlottesville e condenar os terroristas "de esquerda".

Paralelo às reações aos incidentes racistas vividos no fim de semana, um grupo de especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) em direitos humanos sustentaram, nesta quarta-feira (16), que o racismo e a xenofobia aumentam nos Estados Unidos e que o ataque que gerou o comentário de Donald Trump é um exemplo disso.

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* Com informações da Agência Brasil.

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