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Com uma filosofia compreensiva, que busca entender os problemas e os sentimentos das crianças, a escola consegue alcançar ótimos resultados

Com idade de até sete anos, os alunos da escola Rosebery apresentaram comportamento violento ou inapropriado
Reprodução/Channel 4
Com idade de até sete anos, os alunos da escola Rosebery apresentaram comportamento violento ou inapropriado


A Inglaterra tem enfrentado um “surto” de crianças expulsas de escolas primárias. No último ano, os números ultrapassaram os mil casos, e tal situação divide opiniões entre especialistas: aspectos da vida moderna seriam os causadores da “indisciplina”? A educação familiar está falhando? A escola está atualizada e equipada o suficiente para atender as crianças?

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Não há uma resposta única para tais questões, e enquanto a comunidade pedagógica tenta encontrar quais são os reais problemas e suas possíveis soluções, uma escola de King’s Lynn, no leste do Reino Unido, resolveu acolher os alunos rejeitados por outras instituições na região.

“Todos merecem uma segunda chance, não? Especialmente crianças”, declarou Sabrina, mãe de Stella Stretton, uma das alunas da Rosebery. Expulsa de outras três instituições, a menina de oito anos foi diagnosticada com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade ( TDAH ) e Transtorno Desafiador Opositivo ( TDO ).

Com traços agressivos em seu comportamento, Stretton tentava machucar seus professores – por mais que não batesse em outras crianças – , mas tais situações desapareceram depois que ela começou a frequentar a Rosebery. Matriculada há dois anos e meio, agora está prestes a começar o ano letivo em outro colégio, que começa em meados de setembro no Reino Unido.

Com diagnósticos de déficit de atenção e ansiedade, os alunos da escola não encontram redes de apoio  em outros lugares
Reprodução/Channel 4
Com diagnósticos de déficit de atenção e ansiedade, os alunos da escola não encontram redes de apoio em outros lugares



O caso de Stretton é muito comum entre as crianças que frequentam a Rosebery, e segundo a diretora Sharon Donaldson explicou ao “Daily Mail”, 30% de seus alunos foram diagnosticados com TDAH, enquanto os outros 70% podem estar passando por transtornos de ansiedade ou problemas relacionados ao relacionamento familiar, fatores que explicam seu comportamento singular, o que acaba norteando a filosofia do colégio.

Se a maioria das pessoas prefere classificar essas crianças como “malcriadas”, Donaldson usa a palavra “desafiadores”, e explica que chamar os alunos de maneira pejorativa cria a ideia, o estereótipo, de que eles são maldosos, quando, na realidade, seu comportamento reflete uma falha dos adultos em compreender os pequenos.

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Como a Rosebery funciona?

Sem uma rede de suporte psicológico, escolas regulares se tornam um ambiente hostil para tais crianças, assim, os alunos chegam na Rosebery agressivos, assustados e com sentimento de rejeição. Por causa disso, o trabalho inicial dos professores é tentar compreender seus sentimentos.

Em salas reduzidas, de no máximo sete alunos, um professor e outros três membros de apoio dão toda a atenção às crianças, encorajando-os a expressar e explorar seus sentimentos. Dessa forma, eles começam a entender suas próprias emoções.

Além disso, a Rosebery trabalha com um sistema de “retorno às origens” , no qual atividades físicas e projetos de culinária e jardinagem estão inclusos, já que, segundo Donaldson, o desenvolvimento de novas tecnologias e mídias fez com que muitas crianças perdessem tais etapas do desenvolvimento, que seriam de extrema importância para instituir, por exemplo, sensos de responsabilidade e coletividade entre os mais novos.

De fato, a filosofia da escola funciona: a Rosebery possui uma taxa de 80% de sucesso entre as crianças que, depois de um certo tempo, voltaram às instituições tradicionais e não apresentaram problemas em seu comportamento.

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