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Na Itália, mãe de Youssef Zaghba conta um pouco sobre a história de vida do seu filho e sobre o início do envolvimento dele com a atividade terrorista

Valeria Collina, 68, abriu as portas de sua casa em Valsamoggia, para falar sobre seu filho, terrorista do Estado Islâmico
Reprodução/ RT France
Valeria Collina, 68, abriu as portas de sua casa em Valsamoggia, para falar sobre seu filho, terrorista do Estado Islâmico

A mãe de Youssef Zaghba, um dos terroristas responsáveis pelo atentado que deixou oito mortos no último sábado (3), em Londres , afirmou, nesta quarta-feira (7) a jornalistas italianos que já sabia que seu filho havia se radicalizado ao Estado Islâmico.

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De acordo com Valeria Khadija Collina, de 68 anos, que mora em Valsamoggia, na região da Emília-Romana, norte da Itália, seu filho exigia muito de si mesmo. "Ele não conseguia ser aquilo que desejava, precisava de uma estrutura externa que lhe desse segurança. Talvez isso o tenha incentivado", disse a mãe do jovem de 22 anos que cedeu à ideologia do Estado Islâmico .

"No ano passado, quando fui para a Inglaterra, ele estava mais rígido, pelo seu olhar entendi que tinha havido uma radicalização sobre os princípios e a fé do Islã", disse Valeria à agência Ansa

Segundo a mãe do terrorista, Youssef chegou a ser detido no aeroporto de Bolonha em 2016, quando a polícia desconfiou do fato de ele tentar embarcar para a Turquia só com uma mochila e a passagem de ida – a suspeita é de que ele desejasse se juntar a extremistas na Síria.

"No início, o terror de Youssef era ser preso. Depois, recuperou o passaporte, e eu lhe disse: você deve ser perfeito, não deve olhar nem mesmo meia coisa estranha na internet, deve conhecer as pessoas certas, fazer as coisas certas", lembra Valeria.

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"Ele trabalhava muito, isso me deixava tranquila", relatou a mãe do terrorista, contando que o filho trabalhava 10 horas por dia em um restaurante paquistanês.

A mãe de Youssef também disse ser grata à polícia pelo que aconteceu, contando que sempre tinha um agente seguindo seu filho quando ele a visitava. "Fizeram um trabalho incrível, sabiam muito bem o quanto eu estava preocupada", afirmou.

Ainda de acordo com a reportagem da agência, Valeria falou com o filho pela última vez na quinta-feira (1º), dois dias antes do atentado. 

Dor de mãe – de terrorista

"Neste momento, é impossível dizer qualquer coisa com sentido. Entendo o que possa estar sentindo uma mãe, mas eu não posso pedir perdão por outro, não posso nem mesmo pedir perdão em nome do islã, porque o islã não é isso", lamentou ela.

"Eu posso entendê-las por meio de minha tragédia, mas não tenho a coragem de compará-las, é como se me envergonhasse de dizer que eu também sou mãe, que eu também sofro", declarou aos prantos.

Nascido em Marrocos, Youssef era filho caçula da italiana e de um marroquino. A Polícia de Estado da Itália, que o libertou após o episódio de Bolonha, chegou a alertar o Reino Unido sobre a presença do terrorista em solo britânico, mas não sabia que ele havia se juntado ao Estado Islâmico.

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* Com informações e reportagem da Agência Ansa.

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