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Nem a Rússia, nem o Reino Unido e nem o Brasil: nenhum líder mundial aceitou com satisfação a decisão polêmica do presidente dos Estados Unidos

Donald Trump anunciou, nesta quinta-feira, que os EUA vão deixar o Acordo de Paris, o maior acordo climático da história
Reprodução/Instagram
Donald Trump anunciou, nesta quinta-feira, que os EUA vão deixar o Acordo de Paris, o maior acordo climático da história

Após o presidente Donald Trump decidir retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris – o maior acordo climático da história –, nesta quinta-feira (1º), os principais líderes mundiais repercutiram tal decisão nesta sexta-feira (2). Em geral, a reação à notícia foi negativa.

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O governo russo afirma que a medida de Donald Trump foi "decepcionante". Acusados de ajudarem a eleger o presidente dos Estados Unidos, os membros do Kremlin não pouparam críticas ao magnata norte-americano.

O conselheiro do presidente Vladimir Putin, Andrei Belusov, afirmou que "é absolutamente evidente que sem a participação dos Estados Unidos , os acordos de Paris serão inatuáveis".

Em entrevista à agência Interfax , Belusov afirmou, nesta quinta, que até entende o que Trump fez, mas que sente "um profundo lamento porque não se pode mudar as decisões já tomadas".

"Somos obrigados a aceitar essa decisão, mesmo se ela suscita uma certa decepção. E speramos que os temores derivantes da decisão de Washington não se realizem e os outros participantes-chaves, como Rússia e China, façam todo o possível para realizar o acordo, que tem como objetivo principal prevenir a catástrofe ecológica no planeta", disse o chefe da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento, Leonid Slutsky.

Decepção dos aliados

Apesar de também se mostrat próxima ao Trump, principalmente neste período de saída do Reino Unido da União Europeia, a primeira-ministra britânica Theresa May também lamentou a decisão e disse ao líder norte-americano que estava "decepcionada" com a notícia, informam fontes do governo.

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Segundo May, os britânicos confirmam seu "compromisso em relação ao acordo de Paris" porque ele é uma garantia para "proteger a prosperidade e a segurança das futuras gerações".

Outro aliado de Trump, o governo japonês se manifestou contrário à saída dos EUA e as decisões do republicano. O ministro das Relações Exteriores, Fumio Kishida, afirmou que "por mais inconveniente que possa ser a saída dos EUA, o Japão continuará a trabalhar com os países que assinaram o acordo de Paris para garantir a implementação das promessas".

Preocupação na Europa

Assim como na nota conjunta divulgada logo após a comunicação de Trump por Itália, Alemanha e França, os líderes europeus também se manifestaram contrários à decisão.

"Pacta sunt servanda ('Pactos assumidos devem ser respeitados', em tradução livre). É uma questão de confiança e de liderança. Essa decisão prejudicará os EUA e o planeta", foi o comentário do presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, sobre a decisão do magnata.

Antes de receber lideranças chinesas em Bruxelas nesta sexta, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou que a luta contra as mudanças climáticas "hoje é mais importante do que ontem" e que "China e União Europeia estão alinhados para soluções em comum". "Nossa mensagem ao mundo é que não se voltará para trás na transição energética, não se volta atrás no Acordo de Paris", disse aos jornalistas.

Além dissso, o premier da Bélgica, Charles Michel, escreveu nas redes sociais que "condena esse ato brutal contra o acordo de Paris".

"Liderança significa combater as mudanças climáticas juntos, não abandonar compromissos", concluiu Michel.

Já a China, que está com seus principais membros do governo na Europa, reafirmou seu compromisso com o acordo e afirmou que "as partes devem proteger esse resultado conquistado depois de muito trabalho".

Segundo a ministra das Relações Exteriores, Hua Chunying, "manteremos os nossos compromissos e a China está pronta para cooperar com todos os países da comunidade internacional, incluindo os EUA, para promover um desenvolvimento verde em nível global, sustentável e reduzindo as emissões de carbono".

Brasil também lamenta

Em terras tupiniquins, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou uma nota em que condena a decisão de Trump.

"O governo brasileiro recebeu com profunda preocupação e decepção o anúncio de que o governo norte-americano pretende retirar-se do Acordo de Paris sob a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e 'renegociar' sua reentrada", afirma a nota.

"Preocupa-nos o impacto negativo de tal decisão no diálogo e cooperação multilaterais para o enfrentamento de desafios globais", escreveu o Itamaraty .

O texto afirma ainda que o País "continua comprometido com o esforço global de combate à mudança do clima e com a implementação do Acordo de Paris".

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"O combate à mudança do clima é processo irreversível, inadiável e compatível com o crescimento econômico, em que se vislumbram oportunidades para promover o desenvolvimento sustentável e para novos ganhos em setores de vanguarda tecnológica", destacou o Itamaraty sobre a decisão de Donald Trump.

* Com informações da Agência Ansa.

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