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Agência síria fala em nove civis mortos, além de sete militares; ataque foi uma retaliação de Donald Trump ao regime do ditador Bashar al-Assad

Na cidade de Al Manzul, que fica a quatro quilômetros da base aérea da Síria, sete pessoas ficaram feridas
Reprodução/Twitter
Na cidade de Al Manzul, que fica a quatro quilômetros da base aérea da Síria, sete pessoas ficaram feridas

Pelo menos nove civis – entre eles, quatro crianças – morreram nesta sexta-feira (7) devido ao bombardeio norte-americano contra uma base militar na Síria. De acordo com a agência oficial Sana , outros sete cidadãos sírios ficaram feridos. 

As vítimas civis estavam nos povoados de Al Hamrat, Al Shayrat e Al Manzul, situados nos arredores da base área síria de Shayrat, atacada pelos Estados Unidos. O ataque norte-americano foi uma retaliação de Trump ao ditador sírio Bashar al-Assad , que, segundo o republicano, "lançou um terrível ataque químico em Khan Sheikhoun, matando inocentes, entre eles, crianças indefesas e pequenos bebês".

A agência Sana acrescentou que o ataque também causou uma grande destruição nas casas desses povoados da província de Homs. Em Shayrat caíram dois mísseis Tomahawk que provocaram a morte de cinco civis, entre eles três crianças, enquanto em Al Hamrat morreram outras quatro pessoas, entre eles um menor, pelo impacto de um míssil, segundo a agência.

Na cidade de Al Manzul, que fica a quatro quilômetros da base aérea, sete pessoas ficaram feridas.

O exército sírio confirmou que seis militares morreram no ataque, mas o Observatório Sírio de Direitos Humanos elevou o número de vítimas militares para sete, incluindo um comandante.

Retaliação

O lançamento foi uma retaliação ao ataque químico em Khan Sheikhoun, na província de Idlib, que foi feito com gás sarin, matando 86 pessoas, entre elas 26 crianças , segundo o levantamento do Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

Segundo o Exército americano, a base aérea de Homs, alvo dos mísseis, foi responsável pelo ataque químico. O ataque partiu de navios americanos, e já estava sendo planejado desde a última terça-feira. 

Consequências

Muito se espera das consequências diplomáticas diante da retaliação americana, principalmente em relação à Rússia, antiga aliada do regime de Assad. De acordo com o Pentágono, no entanto, as autoridades russas foram avisadas antes do lançamentos dos mísseis, para que seus soldados pudessem ser retirados da base militar que foi alvo dos mísseis.

O governo russo no entanto, manifestou descontentamento com a atitude de Trump. "O ataque foi uma agressão contra um estado soberano, baseada em pretextos inventados", declarou Dmitry Peskov, porta-voz do governo da Rússia. "Esta ação de Washington causa um dano considerável nas relações russo-americanas, que já se encontram em um estado lamentável", completou o diplomata, causando ainda mais tensão. A Rússia ainda pediu uma reunião urgente no Conselho de Segurança da ONU para discutir o assunto.

O governo do Irã, outro aliado importante de Assad, também repudiou o ataque americano. “O Irã condena veementemente quaisquer ataques unilaterais”, declarou Bahram Qasemi, porta-voz do Ministério do Interior iraniano.

Outro problema que Trump pode enfrentar se deve ao fato do presidente americano não ter consultado o Congresso antes de autorizar os ataques, como manda a Constituição dos Estados Unidos. Deputados democratas e mesmo alguns republicanos não teriam gostado da atitude centralizadora de Trump. Segundo o presidente, no entanto, o lançamento dos mísseis era uma questão de segurança nacional, e não haveria maneira de discutí-lo.

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Países aliados dos Estados Unidos, no entanto, aprovaram a ação de Trump. Israel, Turquia, Reino Unido, Japão, entre outros, entenderam que o lançamento dos mísseis foi necessário para combater um governo da Síria que está atacando a própria população. Alemanha e França informaram que foram avisados do ataque com antecedência.

* Com informações da Agência Brasil.

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