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Campanha #NoEsDeHombre faz experimentos sociais que colocam homens em situações desconfortáveis em luta contra assédio sexual no transporte

Assento de pênis foi instalado no metrô da Cidade do México em campanha contra o assédio sexual no transporte público
Reprodução/Youtube
Assento de pênis foi instalado no metrô da Cidade do México em campanha contra o assédio sexual no transporte público

Um novo assento no metrô da Cidade do México, que tem pênis, barriga e peitoral moldados, causou desconforto aos passageiros. E era exatamente esta a intenção. A cadeira foi desenhada para chamar a atenção para o assédio sexual sofrido por mulheres dentro do transporte público.

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Em frente ao assento com o pênis, que foi marcado como exclusivo para homens, foi posta uma mensagem: “É desconfortável sentar aqui, mas isso não é nada comparado ao assédio sexual sofrido pelas mulheres em suas jornadas”.

A cadeira, que não ficará no transporte permanentemente, é parte de uma campanha da ONU Mulheres em parceria com as autoridades da Cidade do México. O objetivo é combater a violência sexual na rede de transportes da capital mexicana.

Além da instalação, foi filmado o desconforto das pessoas ao se deparar com a cadeira e as imagens circulam pela internet. Ao final do vídeo, um dado chocante: “nove a cada dez mulheres na Cidade do México já foram vítimas de alguma forma de violência sexual em suas viagens diárias”.

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A campanha, que recebeu o nome “#NoEsDeHombre”, usa experimentos sociais para expor os homens a situações vividas constantemente por mulheres no transporte público.  Além do assento, em outro vídeo homens esperando o trem na plataforma têm seus traseiros exibidos na televisão do metrô e no final a tela diz que “milhares de mulheres passam por isso todos os dias”.

Por mais que tenha sido elogiada por focar no comportamento masculino, a campanha não agradou a todos e foi criticada por não explorar a raiz do problema de violência sexual no México.

“A maioria dos homens não considera assédio sexual uma forma de violência. Dizer coisas às mulheres e assobiar para elas são comportamentos considerados completamente normais”, disse Ana Güezmes, da ONU Mulheres México, no lançamento da campanha.

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“A campanha procura mudar essa visão e fazer com que os homens parem de pensar que assédio sexual é comum. Existem tantos homens que não assediam e nós queremos que eles sejam corajosos e se posicionem, dizendo que isso não é normal”, completou Güezmes.