A agência de refugiados da ONU (Acnur) relatou que ao menos cinco milhões de refugiados sírios já deixaram seu país
Observatório Sírio dos Direitos Humanos
A agência de refugiados da ONU (Acnur) relatou que ao menos cinco milhões de refugiados sírios já deixaram seu país

A agência de refugiados da ONU (Acnur) relatou nesta quinta-feira (30) que ao menos cinco milhões de refugiados sírios já deixaram seu país após seis anos de guerra. A instituição ainda fez um apelo aos países europeus para que não coloquem as questões humanitárias “em votação” durante as eleições que acontecem neste ano em diversos locais.

Segundo as informações da Acnur, metade dos 22 milhões de sírios foi extirpada pelo conflito que, agora, já tem duração maior do que a Segunda Guerra Mundial. Segundo a agência, 6,3 milhões de pessoas, que ainda estão nas fronteiras do país, são forçadas a sair de suas casas por causa da violência.

A violência encontrada em Aleppo, a segunda maior cidade da Síria, especialmente depois dos ataques aéreos da Rússia, no final de 2016, resultou na migração de 47 mil pessoas, que voaram para a Turquia, país vizinho. Acampamentos para pessoas deslocadas internamente perto da fronteira entre os dois países também mantêm os que fugiram da luta no norte da Síria.  

Os últimos movimentos de migração à Turquia mostram que o número de cidadãos da Síria que fugiram de seu país chega a mais de cinco milhões, ou seja, quatro vezes o número que a Acnur havia relatado em 2013. Entre os refugiados, estão aqueles que foram reassentados na Europa, mas a Acnur chamou a atenção dos governos europeus para que façam mais esforços neste sentido, uma vez que os países vizinhos ao sírio estão “carregando um fardo” muito maior. Somente na Turquia, estima-se que sejam mais de três milhões de sírios.

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A Europa e as eleições

Neste ano, acontecem eleições na Alemanha e na França e, com isso, a questão humanitária dos refugiados fica ainda mais vulnerável. Sendo assim, a agência pediu para que o problema  não seja colocado em “votação” – já que partidos de extrema direita utilizam o tema para “ganhar votos”.

A agência da ONU mostra preocupação acerca do tema. “Não é hora de rejeitar os refugiados sírios. Nossa esperança é que a humanidade não seja colocada nas urnas”, diz o porta-voz da entidade, Babar Baloch. “A Europa passou por isso durante a Segunda Guerra Mundial e houve muitos países que deram apoio aos europeus. A Síria está atualmente passando por este trauma, e agora precisa da ajuda mundial. Não podemos virar as costas para pessoas necessitadas”, defendeu.

Filippo Grandi, alto comissário das Nações Unidas para os refugiados, pediu que as nações honrem as promessas de ajuda existentes e ajudem mais. "Para enfrentar esse desafio, não só precisamos de mais lugares, mas também precisamos acelerar a implementação das promessas existentes", disse ele.

No ano passado, uma conferência em Genebra concordou em reassentar 10%, ou 500 mil, de todos os refugiados sírios até 2018. Até agora, apenas 250 mil lugares foram disponibilizados na Europa. "Estas promessas generosas são um símbolo bem-vindo e importante da partilha de solidariedade e responsabilidade pela comunidade internacional. Se quisermos atingir nosso objetivo, agora precisamos acelerar esses esforços em 2017 e além", disse Grandi.

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