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Novas orientações foram repassadas aos sacerdotes da Igreja Católica nesta segunda-feira (21), marcando a importância da misericórdia

Papa Francisco mudou as orientações da Igreja Católica em relação aos casos de abortos realizados pelos fiéis
Instagram/ Pope Francis/ Reprodução
Papa Francisco mudou as orientações da Igreja Católica em relação aos casos de abortos realizados pelos fiéis

O Papa Francisco mudou as orientações da Igreja Católica em relação aos casos de abortos realizados pelos fiéis nesta segunda-feira (21). O líder religioso escreveu uma carta aos sacerdotes concedendo aos sacerdotes a liberdade de absolverem ou não as pessoas que buscam redenção após cometeram abortos.

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A carta apostólica escrita pelo Papa com as novas orientações tem nome de “Misericordia et Miseria” e foi divulgada nesta segunda pelo Vaticano. O texto marca, assim, o encerramento do Ano Santo do Jubileu, que fora dedicado à misericórdia.

As regras estabelecidas no documento apresentam práticas diárias que devem ser adotadas pelos católicos a fim de que a misericórdia esteja presente no cotidiano de padres e fieis. Com isso, os sacerdotes ficam livres para decidirem se perdoarão ou não a pessoa que tenha cometido aborto, também abrindo caminhos para médicos e mulheres que tenham participado da prática anteriormente.

“Com todas as minhas forças digo que o aborto é um pecado grave, porque dá fim à vida de um inocente, mas peço aos sacerdotes que sejam guias e deem apoio e conforto no acompanhamento dos penitentes”, enfatizou o líder católico. “Para que nenhum obstáculo esteja entre o pedido de reconciliação e o perdão de Deus, concedo, a partir de hoje, a todos os sacerdotes, na força de seus ministérios, a faculdade de absolver os que os procuram”, ressaltou.

Até o momento da divulgação da carta, as pessoas envolvidas eram impedidas de participar da comunhão na Igreja e isso só poderia ser revertido por bispos ou delegados, em casos específicos.

Mais sobre a carta

Além dessa questão, Francisco validou as confissões realizadas por sacerdotes lefrebrvianos, oficializando o trabalho destes “missionários da misericórdia”, postos que foram criados durante o Jubileu para que escutem e perdoem os fiéis.

Na carta, o líder religioso ainda afirmou que a misericórdia deve restituir a dignidade de milhões de pessoas, sendo um valor social. Dessa forma, estabeleceu o Dia Mundial dos Pobres, que será celebrado na Itália Católica.

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Uma mensagem foi claramente dedicada à ala conservadora do Vaticano , já que Francisco disse, em dado momento, que “nada que um pecador arrependido coloque diante da misericórdia de Deus deve permanecer sem o seu abraço e seu perdão”. Ademais, ele destacou que a “certeza do que Deus ama não é um exercício retórico, mas uma condição de credibilidade do próprio sacerdócio”.

Respostas aos conservadores

A carta apostólica encaminhada pelo Papa já foi utilizada por sacerdotes a fim de dar respostas sobre assuntos diversos. Um exemplo disso é Jorge Mario Bergoglio, ele a utilizou para dar retorno a quatro cardeais conservadores que haviam questionado sobre a exortação apostólica “Amoris Laetitia” (A alegria do amor, em tradução livre), lançada no dia 8 de abril, sobre a família na sociedade atual. Liderados pelo cardeal Raymund Leo Burke, religiosos acusaram o Papa de apoiar o reconhecimento do divórcio.

“Quando o caminho da vida nupcial é interrompido pelo sofrimento, pela traição e pela solidão, a experiência da misericórdia nos permite olhar para todas as dificuldades com a atitude do amor de Deus, que não se cansa de acolher e de acompanhar”, ratificou Francisco hoje. Dessa maneira, o líder religioso pede para que cada caso de separação matrimonial seja analisado de forma independente.

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O Ano Santo Extraordinário da Misericórdia foi encerrado neste domingo (20), com uma missa celebrada por Papa Francisco no Vaticano e a presença de 70 mil fiéis. Tradicionalmente, a Igreja Católica possui o Jubileu a cada 25 anos. Como o último aconteceu no ano 2000 – e o próximo seria apenas em 2025 -, o líder da Igreja decidiu criar um Jubileu Extraordinário com o tema “Misericórdia”.

*Com informações da Ansa

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