
Em plena época de desova dos corais no Mar do Caribe, pesquisadores da Instituição Oceanográfica Woods Hole (WHOI) em Massachusetts iniciaram um novo projeto para recuperar recifes de corais . Por meio da reprodução de sons gravados em recifes, os alto-falantes subaquáticos poderão conduzir larvas de coral flutuantes para preencher regiões afetadas pelo aumento das temperaturas.
A ideia é que as larvas se instalem permanentemente em corais degradados e ajudem na sua recuperação.
A descoberta aconteceu quando os cientistas estavam monitorando as diferenças nas paisagens sonoras de recifes saudáveis e degradados próximo às Ilhas Virgens Americanas . A resposta de peixes às ondas sonoras, no entanto, já era conhecida.
Foi então que eles começaram a realizar experimentos sobre como os corais poderiam usar o som, e descobriram que as larvas também são sensíveis aos sinais sonoros e se fixam com mais frequência quando expostas aos sons ambientes de recifes saudáveis.
Os testes se iniciaram em 2022 com as paisagens sonoras e, posteriormente, com larvas do coral-pétreo-mostarda (Porites astreoides)
. Ao descobrirem que as larvas se fixam quase duas vezes com mais frequência, encontraram esse efeito em várias outras espécies, obtendo uma resposta de fixação três vezes maior e, em alguns casos, o aumento foi de oito vezes.
Segundo os pesquisadores, a restauração acústica pode ser uma boa alternativa para a restauração em muitos locais, com equipamentos relativamente baratos e fáceis de instalar.
Mudanças climáticas
Além do aumento da temperatura da água causado pelas mudanças climáticas, os recifes de corais enfrentam a poluição e a pesca excessiva . Por isso, os pesquisadores estão juntando esforços para implementar outras medidas emergenciais, como a transferência de corais para regiões mais profundas e frias do oceano e a inserção de microrganismos protetores.
A recuperação dos corais do branqueamento é possível, mas segundo os pesquisadores leva tempo e aconteceria logo após um longo período de estresse climático que impactou os recifes em um calor recorde de 2024. Espera-se que em 2027 as temperaturas dos oceanos subam ainda mais, quando o El Niño vai atingir sua potência máxima, o que ameaça diretamente a vida desses animais.
O aumento da temperatura dos oceanos ao longo dos anos reacendeu o alerta para a proteção dos recifes de corais. Segundo artigo da ONU, eles são “o ecossistema de maior biodiversidade no oceano” . Para os cientistas, a prioridade na proteção desses animais deve ser a redução da emissão de gases do efeito estufa e a proteção dos recifes locais.