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Último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde aponta que mais de três mil casos para a malformação associada ao vírus estão em investigação

Gestantes que contrairam a zika podem transmitir o vírus ao feto, o que pode causar malformações com a microcefalia
Pixabay
Gestantes que contrairam a zika podem transmitir o vírus ao feto, o que pode causar malformações com a microcefalia

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta terça-feira (22) que o Brasil ainda deverá ter mil novos casos de microcefalia associados ao zika vírus . A estimativa foi divulgada pelo diretor de Saúde Infantil da entidade, Anthony Costello, durante coletiva de imprensa em Genebra.

“Sabemos que, no Brasil, onde o problema foi primeiramente detectado, existem hoje 2,1 mil casos confirmados, mas ainda há muitos outros sendo investigados. Esperamos que mais mil casos sejam descobertos. Sabemos que o problema não irá embora no Brasil. Todos os meses, entre 150 e 200 casos de microcefalia são identificados.”

O último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde aponta que mais de três mil casos para a malformação associada à zika estão em investigação no momento. Costello destacou que, apesar de serem muitos, os casos devem ser investigados e acompanhados um a um, por meio da análise de especialistas das mais diversas áreas.

O diretor da OMS alertou ainda que muitos países não contam com sistemas de vigilâncias e mecanismos eficazes para monitorar casos do problema ou mesmo serviços de apoio às famílias.

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“O quadro pode não constituir mais uma emergência global em saúde pública nos termos oficiais, mas é um problema de saúde global de grande preocupação para o mundo, 69 países registraram casos de Zika nos últimos dois anos. Estamos falando de um vírus que causa danos neurológicos e potencialmente deficiência ao longo de toda a vida, o que representa um grande golpe para essas famílias.”

Fim da emergência mundial

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou no último dia 18, em Genebra, na Suíça, que o zika vírus e seus transtornos neurológicos não são mais uma emergência sanitária internacional. Ainda assim, as medidas de combate ao mosquito Aedes aegypti, vetor não só da zika como também da dengue, chikungunya e outras doenças, devem continuar.

A OMS recomenda que os países que enfrentam a epidemia de zika tenham outros métodos de detecção de consequências neurológicas do vírus, além da medição da cabeça dos recém-nascidos, medida já adotada pelo Brasil e que pode levar ao diagnóstico de microcefalia.

“É apropriado o Brasil continuar a emergência, porém, uma emergência pública internacional tem uma conotação diferente , nesse caso a declaração é feita para o que o mundo identifique e trabalhe em conjunto questões de importância internacional. Agora, outro país pode dizer que é uma emergência, se eles precisam de mais fontes, de mais pesquisas”, disse o coordenador da organização, David Heymann.

A maior preocupação das autoridades é a transmissão da zika das mulheres gestantes para os fetos, o que pode causar a microcefalia.

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