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Estudo traçou a rota que vírus fez desde a Polinésia Francesa até chegar o Brasil; trajeto se assemelha ao percorrido pela dengue e chikungunya

Desde que o zika entrou no Brasil, mais de 3 mil crianças foram atingidas pelas complicações causadas pelo vírus
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Desde que o zika entrou no Brasil, mais de 3 mil crianças foram atingidas pelas complicações causadas pelo vírus

O zika chegou ao Brasil proveniente do Haiti, apontou um estudo desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco que rastreou os caminhos da doença. Segundo os pesquisadores, provavelmente a doença foi trazida por imigrantes ilegais e militares brasileiros que participaram da missão de paz no país caribenho.

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Até então, o que se sabia era que o zika saiu da Polinésia Francesa, mas não havia vindo de lá diretamente para o Brasil. A rota percorrida ainda era desconhecida.

Antes, ele migrou para a Oceania, depois para a Ilha de Páscoa, de onde foi para a América Central e o Caribe e só então chegou ao Brasil, no final de 2013. O trajeto coincide com o caminho percorrido por outras arboviroses, como dengue e chikungunya.

Entre as hipóteses consideradas até então estava a de que o vírus teria entrado no Brasil durante a Copa do Mundo de 2014, trazido por turistas africanos. Outra teoria era de que a introdução teria ocorrido durante o Campeonato Mundial de Canoagem, realizado em agosto de 2014 no Rio de Janeiro, que recebeu competidores de vários países do Pacífico afetados pelo vírus.

“Esse resultado aponta para o fato de que a América Central e Caribe são importantes rotas de entrada para arbovírus na América do Sul. Uma informação estratégica para a vigilância epidemiológica e para adoção de medidas de controle e monitoramento dessas doenças, especialmente em regiões de fronteira com outros países, portos e aeroportos”, destacou a fundação.

Ainda de acordo com a Fiocruz, em todos os casos brasileiros estudados, o ancestral em comum desse tipo de vírus é uma cepa do Haiti, país afetado por uma espécie de tripla epidemia de zika , dengue e chikungunya.

Outra conclusão do estudo é que houve múltiplas introduções, independentes entre si, do vírus zika no Brasil . Isso muda a crença anterior de que um único paciente poderia ter trazido a doença, que depois teria se espalhado pelo país.

Casos de Zika no Brasil

Mosquito aedes aegypti é vetor de doenças como dengue, febre amarela, chikungunya e zika virus
Venilton Kuchler/ ANPr 08.12.2015
Mosquito aedes aegypti é vetor de doenças como dengue, febre amarela, chikungunya e zika virus

Este ano, 5.941 casos da doença foram registrados no Brasil, de acordo com informações do Ministério da Saúde. O número apresenta uma diminuição de 60,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a pasta recebeu a notificação de 15.214 casos.

Desde novembro de 2015, quando o Ministério da Saúde iniciou as investigações entre o vírus da zika no Brasil e anomalias em fetos, pelo menos 327 crianças tiveram suas mortes relacionadas ao vírus .

Outras 53 mortes foram classificadas como “prováveis”, por não ser possível realizar testes mais precisos. Entre os óbitos ligados ao vírus da zika , estão crianças que primeiro desenvolveram a anomalia, mas não resistiram com o passar do tempo.

Até maio deste ano, há confirmação de 3.194 casos de alterações no crescimento e desenvolvimento possivelmente relacionadas à infecção pelo vírus da doença e outras origens infecciosas. Há ainda 156 mortes por zika em processo de apuração.

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Em 2015, quando uma epidemia de zika surgiu no País, um velho inimigo da saúde pública brasileira voltou a ser assunto nos centros de debate do setor de saúde pública: o mosquito Aedes aegypti.

*Com informações da Agência Brasil

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