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Pesquisadores da Fiocruz usam substância para substituir sangue humano usado na dieta dos mosquitos; insetos são criados em laboratório e infectados com bactéria que bloqueia a transmissão do vírus da dengue

Dieta de Aedes aegypti agora é composta por sangue bovino e Whey Protein
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Dieta de Aedes aegypti agora é composta por sangue bovino e Whey Protein

Cientistas da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) desenvolveram uma dieta para alimentar Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia – que atua para reduzir a transmissão de doenças transmitidas pelo mosquito.  

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Entre as substâncias que servirão de alimento para o Aedes aegypti no lugar do sangue humano está a mistura de nutrientes, sangue bovino e a proteína do soro do leite, conhecida popularmente como “Whey Protein”, um suplemento comumente consumido pelos praticantes de musculação.

A nova estratégia para o controle da transmissão de vírus do mosquito que vai auxiliar no manejo do inseto foi publicada no periódico “Scientific Reports”, na publicação do grupo “Nature”.

De acordo com os pesquisadores, a novidade irá substituir o sangue humano usado para alimentar os mosquitos desenvolvidos em laboratório pela Fiocruz . Dessa forma, não será mais preciso realizar testes prévios no sangue humano usado para a nutrição dos insetos, que evitavam que outras infecções fossem transmitidas ao Aedes aegypti . Além de eliminar a etapa de trabalho dos cientistas, a alimentação poupa menos recursos.

Dieta

P ara chegar aos alimentos que serão utilizados, os estudiosos analisaram quais componentes do sangue são importantes para que a Wolbachia se desenvolva. Sendo assim, foi possível constatar que o ferro e o colesterol mantêm a bactéria viva.

Depois de muitos testes, os cientistas chegaram a uma fórmula que ficou conhecida como APS, que é composta de sais minerais, sangue bovino, ATP e o Whey Protein. A ideia é que, no futuro, seja desenvolvida uma nova alimentação totalmente artificial para os mosquitos criados em laboratório.

Walbachia

De acordo com os pesquisadores da Fiocruz,  a bactéria tem sua ação e eficácia comprovadas no estudo publicado em maio de 2016 na revista científica Cell Host & Microbe. No entanto, no mundo ela está sendo utilizada desde 2011 para impedir que o vírus da dengue se desenvolva no organismo do Aedes aegypti .

No Brasil, os pesquisadores do instituto estão usando a Wolbachia como uma alternativa natural, segura e autossustentável para o controle da dengue, chikungunya e zika, transmitidas pelo mesmo mosquito.

Em agosto, 1,6 milhão de mosquitos foram espalhados em dez bairros da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, pela fundação. No final do ano que vem, serão soltos novos mosquitos modificados no Centro e nas zonas Norte e Sul da cidade.

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