
O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta quinta-feira (8) que pretende conceder reajustes de aposentadorias acima da inflação caso seja eleito, apesar de defender um ajuste nas contas públicas. Na redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que seu adversário no segundo turno das eleições está mentindo.
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Isso porque, a promessa de reajustar as aposentadorias acima da inflação se choca com o ajuste fiscal defendido pelo candidato em sua campanha. Flávio fala em economia de 1,5% do PIB, algo de cerca de R$ 200 bilhões. As despesas com Previdência representam metade dos gastos do governo federal.
Apesar de prometer garantir aumentos nas aposentadorias acima da inflação caso seja eleito presidente, Flávio Bolsonaro não apresentou cálculos sobre o custo dos reajustes prometidos nem apontou quais medidas poderiam compensar o aumento das despesas previdenciárias.
Atualmente, as aposentadorias equivalentes ao salário mínimo têm reajustes acima da inflação, conforme a política de valorização do piso nacional. Já os benefícios superiores ao mínimo são corrigidos anualmente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), sem previsão de ganho real automático. Flávio não detalhou se e como pretende estender os aumentos acima da inflação a todos os aposentados.
O salário mínimo também está atrelado ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), ao abono salarial e ao seguro-desemprego, por exemplo. Durante o governo de Jair Bolsonaro, o salário era reajustado seguindo a inflação.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de desvincular benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo, o candidato do PL disse que não faria economias à custa dos aposentados.
Ao justificar a promessa, Flávio citou as dificuldades financeiras dos avós, ambos aposentados, e afirmou, sem detalhar como, que pretende buscar recursos no combate à corrupção e ao desperdício de dinheiro público.
A Previdência está entre os principais componentes do orçamento federal . Para 2027, a previsão é destinar R$ 1,2 trilhão ao pagamento de benefícios previdenciários . Como reajustes reais aumentam permanentemente o valor das despesas, a medida pode ampliar a pressão sobre as contas públicas e limitar recursos disponíveis para outras áreas.
Lula desmente Flávio
Em publicação nas redes sociais, o presidente Lula rebateu a promessa de ajuste fiscal do adversário e afirmou que a economia anunciada pela campanha de Flávio Bolsonaro poderia comprometer programas sociais e a política de valorização do salário mínimo.
Lula acusou setores de defenderem cortes nas despesas públicas que, segundo ele, recaem sobre a população mais pobre, e não sobre os mais ricos.
O segundo turno das eleições 2026 ocorrem no dia 25 de outubro.