Aliados de Flávio Bolsonaro atuam para adiar votação da PEC 6x1

Proposta aprovada na Câmara e que estava travada no Senado desde maio, foi enviada por Alcolumbre à CCJ, após reaproximação com o presidente Lula

Flávio Bolsonaro em participação no programa Conversa Timeline.
Foto: Reprodução/ Youtube/Conversa Timeline
Flávio Bolsonaro em participação no programa Conversa Timeline.

Diante da  reaproximação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União) e do indício de votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala de trabalho 6x1 já na próxima semana, aliados de Flávio Bolsonaro (PL) no Senado agora estão incumbidos de evitar que a PEC chega ao Plenário.

Integrantes da campanha do candidato da direita estão mobilizados para impedir que a PEC, que é a principal bandeira eleitoral de Lula na corrida pela reeleição, seja destravada e votada.

Depois do recesso do meio do ano, como já era esperado, o Congresso pausou as atividades durante o período eleitoral . Ficou definido que serão realizadas apenas duas semanas de esforço concentrado para realizar votações antes do pleito. A primeira semana aconteceu no início de agosto e a segunda está prevista para a semana que começa no dia 31 de agosto.

Diante do risco de ter a PEC que reduz a escala de trabalho dos brasileiros, a campanha de Flávio Bolsonaro, ao senador Rogério Marinho (PL), coordenador da candidatura do partido, a articulação para atrapalhar os planos de Lula.

Durante a primeira semana de esforço concentrado, Marinho tentou um acordo com Alcolumbre para que a proposta que muda a escala de trabalho não fosse votada em meio ao período eleitoral.

Reaproximação

Contrariando a estratégia do PL, Alcolumbre se reuniu com Lula semana passada e se comprometeu a destravar a PEC, que foi  aprovada na Câmara dos Deputados em maio  e seguiu para o Senado. Só que, desde então,  a proposta estava parada.

Isso, até a semana passada. Depois do encontro com o presidente, Alcolumbre enviou a PEC para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), seguindo os trâmites, e deu aval para que um relator aliado do Planalto fosse escolhido, o senador Omar Aziz (PSD).

Nesta quarta-feira (26), o presidente Lula voltou a se encontrar com Alcolumbre, para um almoço, dessa vez com a presença de Hugo Motta (Republicanos), presidente da Câmara.

Diante do cenário desfavorável, a oposição se mexeu e agora trabalha para tentar parar a tramitação e impedir a votação na última semana de esforço concentrado.

Com essa missão, o senador Rogério Marinho apresentou uma PEC alternativa e tenta mudar a rota do debate no Senado. Outra saída seria apresentar pedidos de vista para adiar a votação na CCJ. Ou também apresentar emendas para alterar o texto e tentar ganhar tempo para impedir que o texto seja analisado pela comissão.

O discurso na campanha de Flávio e aliados é que a iniciativa exige mais tempo de debate.

PEC alternativa

O texto alternativo apresentado por Marinho propõe que empregados escolham entre o regime tradicional da CLT e um modelo baseado em horas efetivamente trabalhadas. De acordo com a proposta do coordenador da campanha de Flávio, a compensação de horários e a redução da jornada poderão ocorrer por acordo individual, convenção coletiva ou negociação direta entre empregado e empregador.


Ela também está na CCJ do Senado e o presidente da comissão, Otto Alencar (PSD), adiantou que não vai designar um relator para a PEC de Marinho, apesar de afirmar que, se tiver acordo, o senador Aziz poderá incluir trechos na PEC 6x1.

Cenário incerto

De qualquer forma, o cenário é incerto. Apesar das articulações do presidente Lula, tanto o presidente da CCJ quanto o relator da PEC, que são seus aliados, admitem que não é possível dizer com certeza que haverá acordo para aprovação da PEC antes das  eleições de outubro.

Aziz diz que vai apresentar seu relatório durante a semana do dia 31, mas a votação será definida pelos líderes das bancadas.