
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) candidato a reeleição ao governo de São Paulo, participou nesta quinta-feira (20) de uma sabatina realizada a partir de uma parceria do jornal O Globo, Valor Econômico e Rádio CBN. Ele defendeu os resultados de sua gestão e apresentou a continuidade das políticas adotadas no Estado como argumento para disputar um novo mandato em 2026. Ao longo da entrevista também falou sobre segurança pública, educação, saneamento, concessões, privatizações e a relação que pretende manter com o governo federal.
Tarcísio defendeu mudanças no sistema político brasileiro e citou o fim da reeleição como uma das medidas que considera importantes para melhorar a gestão pública. O governador também falou sobre voto distrital e afirmou que o País perdeu a capacidade de construir consensos.
Fim da reeleição
Ao comentar a possibilidade de aprovação de uma PEC para acabar com a reeleição, Tarcísio afirma que o mecanismo pode levar governantes a priorizar a própria permanência no cargo.
Segundo ele, o fim da reeleição permitiria que gestores tomassem decisões consideradas necessárias mesmo quando elas provocassem desgaste político.
O candidato também defende o voto distrital como forma de aproximar eleitores e parlamentares. Para Tarcísio, a população muitas vezes tem dificuldade para identificar os deputados e senadores que elegeu.
"A gente perdeu a capacidade de estabelecer consensos no Brasil", afirma.
O governador também relaciona a reforma política à necessidade de recuperar a representatividade e aproximar a política da sociedade.
Concessões sob avaliação
As concessões de transporte público também entram na sabatina. Tarcísio é questionado sobre os problemas registrados após a transferência das linhas 11, 12 e 13 da CPTM para a iniciativa privada.
O governador afirma que a experiência deixou lições para o Estado e que protocolos, treinamentos e procedimentos de resposta precisam ser revistos.
Ele também defende a manutenção de uma combinação entre operadores públicos e privados no sistema de transporte. Segundo Tarcísio, ter diferentes operadores permite maior segurança diante de eventuais problemas em uma das empresas.
Ao explicar a política de concessões, o governador afirma que o objetivo é mobilizar investimentos em um prazo menor. Ele cita problemas estruturais encontrados nas linhas 11 e 12, como acessibilidade, desgaste da rede aérea e necessidade de intervenções na via permanente.
Sabesp
A privatização da Sabesp também é abordada durante a entrevista. Questionado sobre o aumento das reclamações registradas pelo Procon, Tarcísio afirma que a maioria está relacionada a tarifas e cobranças, e não à prestação do serviço.
O governador atribui parte do aumento à substituição de hidrômetros convencionais por equipamentos digitais. Segundo ele, a mudança provocou alterações na medição e gerou reclamações de consumidores.
Tarcísio afirma ainda que a empresa adotou ajustes e ampliou os canais de comunicação com os clientes. Na avaliação apresentada durante a sabatina, o volume de reclamações já estaria em queda.
Saneamento Básico
Ao tratar de saneamento, Tarcísio afirma que a despoluição dos rios Tietê e Pinheiros passa pela ampliação do tratamento de esgoto e pelo desassoreamento. Segundo ele, os investimentos da Sabesp na área aumentaram e o Estado trabalha para universalizar o saneamento nos 371 municípios atendidos pela companhia até 2030.
Tietê, Pinheiros e segurança hídrica
Tarcísio relaciona o avanço do saneamento à segurança hídrica de São Paulo. Na avaliação do governador, a redução da poluição amplia a possibilidade de utilização de mananciais e melhora a capacidade de resposta do Estado diante dos períodos de estiagem.
Ele cita investimentos em interligações de bacias e na ampliação da capacidade de reservação. Entre os exemplos apresentados estão uma obra de R$ 125 milhões para interligar as bacias do Juqueri e do Jundiaí e intervenções na Baixada Santista.
O governador também afirma que o Estado prepara projetos de desassoreamento dos rios Tietê e Pinheiros. A medida, segundo ele, deve ser associada à expansão do saneamento para melhorar a qualidade dos mananciais.
Tarcísio afirma ainda que a Sabesp ampliou a capacidade de tratamento de esgoto e prevê intervenções nas quatro maiores estações de tratamento, com destaque para a unidade de Barueri.
Segurança pública
A segurança pública é outro dos principais temas da sabatina. Questionado sobre a política de enfrentamento ao crime, Tarcísio defende uma combinação de aumento do efetivo policial, cooperação entre instituições e uso de tecnologia.
Segundo o governador, São Paulo conseguiu registrar aumento líquido no número de policiais pela primeira vez em quatro mandatos. Ele também afirma que ferramentas de inteligência artificial passaram a ser utilizadas para analisar imagens e auxiliar na identificação de veículos e foragidos.
Tarcísio cita a integração entre a Muralha Paulista e o Smart Sampa como exemplo dessa estratégia. Para ele, a tecnologia permite melhorar a distribuição do efetivo e ampliar a capacidade de prevenção.
Sobre a letalidade policial, o candidato afirma que não admite abusos e defende a adesão aos procedimentos estabelecidos pelas forças de segurança. Ele reconhece, porém, que os números de mortes em ações policiais cresceram em relação a anos anteriores.
O governador também defende a manutenção do atual modelo de câmeras corporais, que permite acionamento automático e por Bluetooth.
Segundo ele, os equipamentos gravam continuamente, mas utilizam um sistema que preserva o período anterior ao acionamento quando a gravação é armazenada.
Combate à violência contra mulheres
O aumento dos feminicídios também é questionado durante a entrevista. Tarcísio cita medidas como monitoramento de agressores por tornozeleiras eletrônicas, patrulhas especializadas e atendimento integrado.
O governador afirma que nenhuma mulher com medida protetiva e cujo agressor estivesse monitorado por tornozeleira foi vítima de feminicídio, segundo os dados apresentados por ele durante a sabatina.
Entre as propostas mencionadas está a criação de um banco de dados de agressores. Tarcísio também cita o programa São Paulo por Todas, o aplicativo SP Mulher Segura, as salas lilás e a ampliação das Delegacias de Defesa da Mulher.
Ao responder sobre questionamentos envolvendo o orçamento destinado às políticas para mulheres, o governador afirma que os recursos estão distribuídos entre diferentes secretarias. Ele cita áreas como habitação, desenvolvimento econômico, saúde e segurança pública.
Benefícios fiscais
Ao falar sobre as contas do Estado, Tarcísio também é questionado sobre os benefícios fiscais e a ressalva feita pelo Tribunal de Contas do Estado. O candidato afirma que sua gestão já realizou uma revisão dos incentivos tributários e que o trabalho deve continuar.
Segundo Tarcísio, foi criada uma comissão para analisar periodicamente a aderência e a viabilidade dos benefícios. Ele afirma que a primeira revisão resultou na exclusão de quase um terço dos incentivos existentes em São Paulo.
O governador argumenta que o crescimento nominal das renúncias acompanha a expansão da arrecadação. Na avaliação apresentada durante a sabatina, porém, o dado mais importante é a proporção desses benefícios em relação à receita corrente líquida.
Tarcísio afirma que os incentivos mantidos têm como critérios o impacto para o consumidor e a competitividade das empresas paulistas. Ele cita produtos como arroz, feijão, derivados de farinha e carne como exemplos de setores nos quais a redução da carga tributária teria impacto direto no preço final.
Também defende a manutenção de benefícios destinados a setores que precisam competir com empresas instaladas em regiões que contam com incentivos próprios, como a Zona Franca de Manaus.
Reforma tributária
Questionado sobre as críticas de Flávio Bolsonaro à reforma tributária, Tarcísio afirma que São Paulo foi favorável à mudança após avaliar os possíveis impactos para o Estado.
Segundo ele, São Paulo é, ao mesmo tempo, um grande produtor e o principal mercado consumidor do País. Por isso, a mudança da tributação da origem para o destino pode beneficiar o Estado.
O governador, entretanto, aponta incertezas na implementação da reforma. Entre elas estão a convivência dos dois sistemas durante o período de transição, o funcionamento do conselho gestor e a definição das alíquotas do IBS e da CBS.
Tarcísio também afirma que uma das vantagens da reforma é a possibilidade de simplificar o sistema tributário e reduzir obrigações para as empresas.
Professores efetivos
Na educação, Tarcísio afirma que pretende realizar novos concursos públicos para professores caso seja reeleito. Ele lembra que o Estado promoveu recentemente um concurso para 15 mil docentes.
A estratégia para um eventual segundo mandato, segundo ele, será realizar concursos menores com maior frequência, ampliando gradualmente o número de professores permanentes na rede.
O governador também cita o programa Multiplica, voltado à troca de experiências entre professores e à formação dos profissionais da rede estadual.
Ensino médio técnico
Ao responder às críticas de Fernando Haddad sobre os indicadores da educação paulista, Tarcísio contesta a interpretação de que São Paulo teria perdido posições no ranking nacional.
Ele destaca a expansão do ensino médio técnico, que, segundo os números apresentados na sabatina, passou de 12% para 42% dos estudantes da rede estadual.
Para Tarcísio, os alunos do ensino médio técnico precisam ser considerados na avaliação dos resultados. O governador afirma que São Paulo permanece na mesma posição entre os Estados quando esse recorte é utilizado.
Para o próximo mandato, ele coloca a alfabetização na idade certa, a matemática e a formação tecnológica entre as prioridades. Também cita a ampliação da carga horária de português e matemática e a criação do chamado Pacto pela Matemática.
Tempo integral
A ampliação das escolas de tempo integral também aparece entre as propostas para um eventual segundo mandato. Tarcísio afirma que a rede estadual já conta com 150 mil matrículas a mais nesse modelo.
Segundo ele, os resultados apresentados pelas escolas de nove horas no Ideb foram positivos, com desempenho próximo ao das instituições consideradas entre as melhores do País.
O governador afirma que pretende ampliar o modelo, além de expandir programas de recuperação da aprendizagem, ensino técnico e formação em tecnologia.
Sobre as escolas cívico-militares, Tarcísio diz que uma eventual ampliação dependerá da manifestação das comunidades escolares. Segundo ele, a decisão não será tomada apenas pela vontade do governo.
Voto para governador pode se descolar da disputa presidencial
Tarcísio afirma que pretende concentrar campanha no balanço da gestão e em propostas para São Paulo, mas defende alinhamento entre governos estadual, federal e municipal.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de o eleitor paulista votar nele para governador e, ao mesmo tempo, escolher Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência, Tarcísio reconheceu o fenômeno e afirmou que pretende conduzir a campanha com foco nas questões estaduais.
O candidato do Republicanos disse que buscará conversar diretamente com o eleitor sobre os resultados dos últimos quatro anos e os projetos para um eventual segundo mandato. Entre os temas citados estão saúde, transporte, habitação, saneamento básico e infraestrutura.
Tarcísio destacou a ampliação da medicina de especialidades, com previsão de expansão para diferentes regiões da Grande São Paulo. Também mencionou a chegada do metrô a Guarulhos e Taboão da Serra e o início dos estudos para levar o sistema ao ABC.
Na habitação, afirmou que pretende manter o programa estadual e ampliar o atendimento a famílias que vivem em áreas de risco e palafitas. O saneamento voltou a ser apresentado como uma das prioridades, especialmente diante da meta de universalização.
O governador também defendeu a importância de haver alinhamento entre os diferentes níveis de governo. Citou a relação com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, como exemplo de como a articulação política pode facilitar a execução de obras e políticas públicas.
Segundo Tarcísio, uma eventual parceria entre governos estadual e federal poderia facilitar a obtenção de recursos e acelerar projetos. "As portas se abrem", afirmou, ao defender que São Paulo não fique em desvantagem na disputa por investimentos.
Túnel Santos-Guarujá
O candidato usou o projeto do túnel entre Santos e Guarujá para exemplificar a postura que pretende adotar diante de um eventual governo federal de outra orientação política.
Tarcísio afirmou que, ao discutir o projeto com o presidente Lula, priorizou a execução da obra em vez da disputa sobre quem deveria assumir o protagonismo.
Segundo ele, São Paulo teria condições de conduzir o projeto com mais rapidez por meio de uma parceria público-privada. Entre os argumentos apresentados estão a existência de uma empresa garantidora, autorização legislativa já aprovada e diferenças nos procedimentos de análise dos órgãos de controle.
Crime organizado na política
A infiltração do crime organizado na política também entrou na reta final da sabatina. Questionado sobre o pedido do Ministério Público Eleitoral para impugnar a candidatura de Ney Santos, Tarcísio afirmou que denúncias precisam ser investigadas e que os envolvidos devem ter direito à ampla defesa.
O candidato citou ainda uma operação policial realizada no dia da sabatina, que resultou na prisão de candidatos e vereadores suspeitos de envolvimento com organizações criminosas.
Para Tarcísio, o combate a esse tipo de situação depende da atuação conjunta do Ministério Público, da Justiça e dos órgãos de inteligência das polícias. Segundo ele, uma vez comprovada uma relação com o crime organizado, é necessário afastar o risco, respeitando o contraditório e a ampla defesa.
Urnas eletrônicas
Tarcísio também foi questionado sobre as críticas feitas por Flávio Bolsonaro às urnas eletrônicas. O candidato afirmou confiar no sistema eleitoral brasileiro e disse que o assunto não deveria ocupar espaço central na campanha.
"Eu confio absolutamente", declarou.
Na avaliação de Tarcísio, a discussão eleitoral deveria se concentrar em temas econômicos e em um projeto para o País. Ele citou o custo do crédito, os juros, o endividamento das famílias, o agronegócio e a necessidade de um ajuste fiscal.
O governador defendeu ainda reformas estruturais e afirmou que o Brasil precisa discutir qual caminho pretende seguir nos próximos anos. Ao tratar da relação com o campo bolsonarista, disse esperar que a candidatura de Flávio apresente um plano de governo.
Tarcísio pede novo voto de confiança
Na conclusão da sabatina, Tarcísio agradeceu aos eleitores que o elegeram há quatro anos e apresentou um balanço de sua gestão. Entre os resultados citados estão a ampliação do programa habitacional, o aumento no número de cirurgias realizadas pelo Estado e a construção de novos hospitais.
O candidato afirmou que pretende ampliar a oferta de medicina de especialidades, levar serviços de saúde para regiões periféricas e fortalecer ações voltadas à saúde mental.
Também colocou entre as prioridades a segurança pública, a digitalização dos serviços estaduais e a ampliação da infraestrutura.
Ao final, Tarcísio pediu novamente o voto dos eleitores paulistas e afirmou que a eleição representa uma escolha sobre o futuro do Estado.