
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, defendeu integração entre as forças de segurança, uso de inteligência artificial, revisão de contratos públicos e mudanças na gestão de saúde, educação e transporte durante sabatina promovida pela Jovem Pan, na terça-feira (18). Ao longo da entrevista, o petista também respondeu a críticas sobre sua atuação no Ministério da Fazenda, falou sobre as bets e apresentou propostas para o interior paulista.
A segurança pública foi um dos principais temas da entrevista. Haddad voltou a sustentar que o estado precisa ampliar o uso de tecnologia para investigar crimes e melhorar o patrulhamento.
Segundo ele, o problema não seria apenas a quantidade de policiais ou o tamanho das penas, mas a baixa capacidade de esclarecimento dos crimes.
O candidato afirmou que pretende criar mecanismos para permitir o registro de boletins de ocorrência por WhatsApp, inclusive por áudio.
A proposta prevê o uso de inteligência artificial para organizar as informações e encaminhá-las aos sistemas utilizados pelas polícias.
Haddad também retomou a ideia de um gabinete institucional com participação das polícias Civil, Militar, Federal e Penal, além de Ministério Público, Receita Federal e COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
A intenção seria ampliar a troca de informações no combate ao crime organizado, à lavagem de dinheiro e aos golpes digitais.
Candidato rebate críticas sobre o PT
Questionado sobre o fortalecimento das organizações criminosas durante governos do PT e sobre a presença de pessoas ligadas a facções em órgãos federais, Haddad respondeu, deslocando o foco para o governo paulista.
Ele citou o afastamento do comandante da Polícia Militar de São Paulo após suspeitas de vínculos com integrantes do PCC e afirmou que o combate ao crime precisa contar com apoio federal.
Também mencionou operações realizadas durante administrações petistas, incluindo ações da Polícia Federal e da Receita Federal.
Haddad voltou a defender que o aumento das penas, isoladamente, não resolve o problema da criminalidade. Para ele, a prioridade deve ser aumentar a capacidade de investigação e responsabilização dos autores.
A segurança também apareceu no discurso final do candidato. Haddad afirmou que pretende assumir diretamente a coordenação da área caso seja eleito e criticou os indicadores que, segundo ele, mostram problemas no estado.
Economia, bets e contas públicas
Na área econômica, Haddad afirmou que a população de São Paulo poderá receber um Estado com situação financeira melhor, caso seu plano de governo seja executado.
Ele criticou a administração de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e defendeu uma revisão das despesas, dos contratos terceirizados e dos benefícios fiscais concedidos a empresas.
O candidato também descartou a ideia de utilizar 'a venda de patrimônio público como mecanismo para fechar as contas". Segundo Haddad, o caminho seria cortar desperdícios, equilibrar o orçamento e direcionar recursos para áreas como saúde, educação e infraestrutura.
A privatização da Sabesp entrou no debate. Haddad afirmou que pretende revisar contratos e criticou o modelo adotado pelo governo estadual. Disse ainda que uma eventual decisão sobre a empresa dependeria da análise jurídica dos contratos.
Outro assunto foi a regulamentação das apostas esportivas e dos jogos eletrônicos. Haddad declarou ser contrário a qualquer tipo de jogo eletrônico e afirmou que considera os mecanismos de apostas uma espécie de pandemia pelo potencial de provocar dependência.
O petista disse ainda que, se eleito, defenderá medidas para restringir os jogos em São Paulo, embora reconheça que a regulamentação nacional limite a atuação de um governo estadual.
Saúde terá foco na redução das filas
Para a saúde, Haddad apresentou a proposta de reorganizar o atendimento a partir do conceito de cuidado integral.
A ideia é evitar que o paciente passe por uma sequência de filas para consulta, exames e cirurgia sem que exista uma avaliação conjunta da necessidade de atendimento.
O candidato afirmou que a tecnologia também poderá auxiliar na definição de prioridades. Na avaliação dele, sistemas capazes de analisar dados podem ajudar a identificar pacientes que necessitam de atendimento mais urgente .
Haddad também defendeu a contratação e capacitação de profissionais, mas sustentou que o principal problema da rede paulista seria de gestão e integração dos serviços.
Educação e interior entram no plano
Na educação, o petista criticou o que classificou como uso excessivo de telas nas escolas estaduais. Segundo Haddad, a tecnologia não pode substituir o trabalho pedagógico nem retirar dos professores o tempo necessário para preparar aulas e acompanhar os alunos.
Ele também prometeu rever a carreira dos professores e afirmou que será necessário reorganizar as contas estaduais para criar condições de valorização salarial.
Ao tratar do interior, Haddad prometeu criar uma rubrica específica no orçamento para municípios pequenos e criticou a dificuldade enfrentada por prefeitos para conseguir atendimento no governo estadual.
O candidato afirmou que pretende receber pessoalmente prefeitos e ampliar a interlocução com as administrações municipais. Também citou propostas voltadas ao agronegócio, como a criação de um seguro rural estadual e a recuperação dos institutos de pesquisa ligados ao setor.
Transporte, pedágios e infraestrutura
Na infraestrutura, Haddad defendeu maior participação do governo federal em grandes projetos e citou obras ferroviárias e rodoviárias como exemplos de investimentos que dependeriam de articulação entre União e Estado.
O candidato também criticou a política de pedágios adotada pelo governo Tarcísio e afirmou que pretende revisar o modelo. Segundo ele, a cobrança precisa considerar o impacto sobre trabalhadores que utilizam as rodovias diariamente.
Ao encerrar a sabatina, Haddad pediu aos eleitores que comparem suas propostas com os indicadores apresentados durante a entrevista. O candidato afirmou que São Paulo precisa recuperar protagonismo em áreas como saúde, educação, segurança, economia e gestão financeira.