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Maísa Santos / Arquivo pessoal
Olívia, que está no Jardim II, acompanha atividades pelo celular

Computadores, tablets e celulares já foram apontados como vilões da atenção à aula, mas têm sido os principais aliados de algumas escolas particulares no período em que o isolamento social é sugerido para evitar a proliferação do novo coronavírus.

A doença, que já fechou escolas em pelo menos 102 países , interferiu diretamente no primeiro semestre do ano letivo brasileiro, obrigando escolas a se esforçarem para manter o assunto em dia.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), mais de 776,7 milhões de crianças não estão nas salas de aula. Na cidade de São Paulo, Maísa Santos Gomes, que trabalha em casa, pratica isolamento social com as duas filhas em idade escolar desde a última segunda-feira (16).

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A mais velha, Katarina, que está no sexto ano do ensino fundamental, estuda no Colégio Internacional Ítalo Brasileiro e acompanha as aulas pelo computador em horários iguais aos que acompanhava dentro de sala de aula. A mais nova, Olívia, está no Jardim II e teve as atividades habituais da escola reformuladas para o período dentro de casa.

Agora, a professora de Olívia envia mensagens em vídeo com explicação de atividades e manda recados. A rotina diferente foi apresentada à criança com entusiasmo pela escola e pela família, sendo recebida de forma animadora.

“Ela acorda já perguntando se tem atividade na agenda eletrônica, acha o máximo ver o vídeo da professora explicando”, narra Maísa.

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Com a matéria em dia e o tempo da escola sendo ocupado com educação dentro de casa, o desafio agora é arrumar tempo para matar as saudades virtuais das colegas de classe.

“Elas sentem falta da presença das amigas nos intervalos porque agora só conversam por vídeo, mas pelo menos o objetivo está sendo cumprido e a matéria dada. Como mãe, estou impressionada”, conta.

A diretora pedagógica do Colégio Cláritas, no qual Olívia estuda, explica que uma das funções das atividades repassadas aos alunos é manter o vínculo entre escola e criança.

“Eles levaram um kit para casa e a professora grava um vídeo explicando qual atividade que eles vão ter que fazer, mas principalmente passando tranquilidade e a serenidade que o momento pede. Passando segurança . A professora está lá, pertinho deles, então eles não estão sozinhos”, explica Carla Cascino.

Segundo a profissional, os treinamentos quinzenais que os docentes recebem para trabalhar com plataformas tecnológicas foram essenciais para o trabalho funcionar bem.

Atividades à distância minimizam perdas

O funcionamento de escolas vinculadas à Associação Brasileira de Escolas Particulares foi paralisado de forma gradual desde a última segunda.

Segundo o diretor da associação, Arthur Fonseca Filho, um dos pontos trabalhados com os diretores das escolas foi a possibilidade de ter atividades não presenciais com os alunos.

“Nós entendemos que tem escolas que têm recursos diferentes, propostas pedagógicas diferentes, mas dentro do inexorável que é não poder ter crianças nas escolas, nós vamos minimizar essas perdas”, garante.

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Para a neuropsicóloga e doutora em psicologia cognitiva pela Universidade Federal de Pernambuco, Taciana Feitosa, lembrar que as crianças não estão de férias é importante nesse momento.

“É muito importante que a escola se preocupe com o cuidado direto com essas crianças, com vídeos, com aulas, adaptações de atividades de aula em casa para fazer… É importante na rotina da casa que essas crianças tenham um tempo para estudo”, explica.

Tatiana lembra que explicar de forma “acessível” aos pequenos o que está acontecendo pode ser benéfico para evitar ansiedade e medo neles.

“É importante que elas entendam que esse é um período e como todo período é algo que vai passar. Enquanto estamos hoje sem poder ir à escola, vai chegar o momento de voltar à escola, mas é uma questão de cuidado, onde a gente está aprendendo a ter uma higienização correta, lavar as mãos, de limpar os nossos brinquedos para que nenhum vírus, nenhum bichinho venha poder contaminar e deixar a gente doente. Falas como essa trazem contorno para uma criança, tiram aquela criança de um desamparo de perda total do controle”, analisa.

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Além dos vídeos enviados pelas professoras, todos os alunos da escola de Olívia ganharam uma planta para levar para casa. Por meio de um aplicativo, eles recebem dicas de como cuidar delas e têm um objetivo: manter a plantinha viva até que a escola esteja pronta para recebê-los.

“O objetivo que a gente quer alcançar é fazer com que eles continuem curtindo e motivados para estudar , sem romper o vínculo. Deu muito certo”, garante a diretora pedagógica.

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