Tamanho do texto

Avanço para o interior: cidades menores puxam a expansão dos grupos de ensino que buscam nova demanda de alunos que moram longe das capitais

IstoÉ

Vandick Silveira
Reprodução/IstoÉ
Vandick Silveira, da Trevisan: Parceria com a Doloitte e ampliação da grade de cursos como Direito e Engenharia

O aumento da concorrência nas capitais e as novas tecnologias que facilitam o ensino a distância tem levado os grupos de educação superior a apostar nas cidades do interior do País. “Nas metrópoles, as instituições de ensino precisam reduzir o valor da mensalidade para fazer frente à concorrência”, diz Francisco Borges, consultor da Fundação de Apoio à Tecnologia (FAT). “Em cidades do interior, elas conseguem manter o valor um pouco mais alto, pois competem com marcas de menor expressão”.

A marcha interiorana é baseada em parcerias locais para reduzir o custo de levantar um campus do zero. “Temos expandido em um modelo que chamamos de híbrido, que integra as unidades presenciais com o ensino a distância”, diz Rodrigo Alves, diretor de relações com investidores da Ser Educacional. As últimas inaugurações foram no interior do Ceará, em Maracanaú e Sobral, e de Pernambuco, em Garanhuns e Petrolina.

A Trevisan firmou parceria com a empresa de auditoria Deloitte, que vai ceder parte do espaço que ocupa em Campinas e no Recife para as aulas presenciais que passarão a ser ministradas ali. “Em pouco tempo não vamos mais distinguir educação presencial e educação a distância” afirma VanDyck Silveira, presidente da Trevisan. “Vamos falar apenas de educação , dentro do que for mais confortável e conveniente para o aluno.” Além da expansão geográfica, a Trevisan prepara também a ampliação de sua grade de graduação, diante da demanda dos alunos e do mercado.

O curso de Direito começa em 2020 e se somará aos já existentes, de Administração e de Contabilidade. Ciência da Computação e Engenharia chegam em 2021.

Leia também: Brasil é o país que mais dá retorno salarial para quem possui ensino superior

Norte e Nordeste

Das 71 novas unidades que a Kroton inaugurou desde 2017, 60% foram no Norte e Nordeste . “Cada unidade pode matricular cerca de três mil alunos, com uma receita potencial de R$ 24 milhões anuais”, afirma Felipe Donato, diretor de projetos da Kroton. Segundo ele, a empresa possui um departamento específico que avalia o potencial de cada cidade em termos de concorrência e demanda, estabelecendo os municípios com mais oportunidades, melhor localização e o portfólio de cursos a ser oferecido.

Na Cruzeiro do Sul Educacional, a expansão na modalidade presencial levou à abertura de novos cursos nos campus já existentes em Franca, Itu e Salto, no interior paulista, e nos de Caraguatatuba e Ilhabela, no litoral do estado. “Nossa ampliação se dá também inorganicamente, pela prospecção e incorporação de novas instituições, como no caso mais recente da Unipê, em João Pessoa, no anos passado”, diz Fabio Figueiredo, diretor de planejamento do grupo.

Leia também: Mercado de intercâmbio se renova e atrai estudantes mesmo frente à alta do dólar

O avanço para o interior não se limita a formar novos universitários. Depois de criar o curso de Medicina em Juazeiro do Norte, no Ceará, o grupo Estácio viu surgir novas demandas nas áreas da saúde e de negócios. Com isso, a instituição começa a transformar a realidade local. “Esse é o grande impacto que existe hoje no Brasil quando se leva educação para o interior”, diz Adriano Pistore, vice-presidente de operações da Estácio.