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Ministro Vélez havia escolhido Rubens Barreto da Silva para o cargo de secretário-executivo da pasta, mas voltou a trás e anunciou Iolene Lima

Ricardo Vélez Rodríguez voltou atrás em nomeações para cargos no MEC
Luis Fortes/MEC - 2.1.19
Ricardo Vélez Rodríguez voltou atrás em nomeações para cargos no MEC

O Ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez foi as redes sociais para anunciar Iolene de Lima para o cargo de secretária-executiva da pasta. Há dias, ele havia confirmado o nome de Rubens Barreto da Silva a posição, mas voltou atrás, agravando ainda mais a crise no MEC.

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Luiz Antonio Tozi, que estava na posto, acabou sendo demitido na última terça-feira, após uma reunião de Vélez com o presidente Jair Bolsonaro, que exigiu a saída do ex-membro do Centro Paula Souza. Rubens Barreto também trabalhou na entidade. Ainda não se sabe se Barreto também será exonerado do ministério ou se ficará em outro cargo.

Iolene Lima, por sua vez, é um nome que agrada mais a bancada evangélica e conservadora da base governista. Ela foi diretora do  Colégio Inspire, mantido pela Primeira Igreja Batista de São José dos Campos.

Crise no MEC começou após reclamações de "guru"

Ensaísta e filósofo Olavo de Carvalho é guru intelectual do governo Jair Bolsonaro (PSL)
Reprodução
Ensaísta e filósofo Olavo de Carvalho é guru intelectual do governo Jair Bolsonaro (PSL)

A demissão do então diretor de Programas da Secretaria-Executiva do MEC, coronel Ricardo Wagner Roquetti do Ministério da Educação na tarde desta segunda-feira (11) teve grande repercussão. O presidente Jair Bolsonaro determinou a saída do militar em reunião com ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez. O principal motivo da saída de Roquetti do governo foram as críticas que ele recebeu do filósofo Olavo de Carvalho, considerado um dos maiores gurus do presidente.

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No entanto, o militar não foi o único exonerado pelo MEC. Ao todo, seis funcionários perderam seus cargos na portaria publicada nesta segunda-feira, entre eles, alunos do próprio Olavo de Carvalho , como Tiago Tondinelli, que ocupava o cargo  de chefe de gabinete do ministro da Educação e era bastante e Silvio Grimaldo de Camargo, ex-assessor especial do ministro da Educação. Outro criticado por Olavo de Carvalho, o ex-secretário-executivo Luiz Antonio Tozi também caiu.

Tondinelli pediu para deixar o cargo alegando motivos pessoais, de acordo com uma reportagem do jornal Folha de São Paulo. Grimaldo, por sua vez, tem utilizado as redes sociais para denunciar o "expurgo" dos alunos do filósofo do ministério. “O expurgo de alunos do Olavo de Carvalho do MEC é a maior traição dentro do governo Bolsonaro que se viu até agora", escreveu.

Ele foi um dos mais vocais críticos de Roquetti . "Ele perambulava pelo gabinete como a eminência parda do ministro, dando ordens, tomando decisões, indicando amigos para os cargos que vagavam. Era um poder imenso acompanhado de nenhuma responsabilidade. Ele mandava e desmandava e não precisava assinar um documento, um processo, um papel", afirmou, também através das redes sociais.

Olavo chegou a recomendar que seus ex-alunos deixassem os cargos no governo e atacou os militares. "Cada politico, em Brasília, está longe do povo e perto da mídia. Logo ele entende a quem deve obedecer", escreveu o filósofo, na noite de quinta-feira (7). "Imaginem então o general, que, emergindo da tediosa e austera secura da vida militar, se vê de repente cercado de luzes, câmeras e gostosas repórteres. Cai de joelhos", disse.

Jamais gostei da ideia de meus alunos ocuparem cargos no governo, mas, como eles se entusiasmaram com a ascensão do Bolsonaro e imaginaram que em determinados postos poderiam fazer algo de bom pelo país, achei cruel destruir essa ilusão num primeiro momento. Mas agora já não posso me calar mais. Todos os meus alunos que ocupam cargos no governo – umas poucas dezenas, creio eu – deveriam, no meu entender, abandoná-los o mais cedo possível e voltar à sua vida de estudos."

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Em nota, o MEC afirmou que trata-se de uma reorganização do ministério e que as mudanças não vão reduzir as intenções de apurar e combater os indícios de corrupção na pasta ou frear o andamento do que chama de Lava Jato da Educação .

“As movimentações de pessoal e de reorganização administrativa, levadas a efeito nos últimos dias, em nada representam arrefecimento no propósito de combater toda e qualquer forma de corrupção. Ademais, envolveram cargos e funções de confiança, de livre provimento e exoneração”, disse o MEC.

Apesar de já ter afirmado em um vídeo que "não era guru dessa 'porcaria'", Olavo de Carvalho mostrou grande força e acabou sendo responsável por uma grande mudança no Ministério da Educação. O filósofo foi o responsável pela indicação de Vélez Rodríguez para a pasta. Ele também indicou o chanceler Ernesto Araújo.