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Estudantes pedem que Marcia Campos Eurico seja incluída no quadro permanente de docentes; aulas no campus Perdizes foram interrompidas

Estudantes ocuparam o campus Perdizes, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo
Facebook / Cass PUC-SP
Estudantes ocuparam o campus Perdizes, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo

Alunos de Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo estão se mobilizando pela permanência da professora Marcia Campos Eurico, no quadro permanente de docentes. Segundo os estudantes, “Márcia é uma mulher negra referência no debate anti-racista, mas foi colocada apenas como substituta e vai sair assim que a professora licenciada puder voltar”.

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Nesta quarta-feira (23), os alunos ocuparam totalmente o campus Perdizes da PUC , em São Paulo. Com isso todas as aulas desse campus foram paralisadas. “Entendemos a ação como uma resposta as agressões sofridas durante a ocupação, ameaçando a resistência, a segurança dos alunos e o atendimento das pautas exigidas”, afirmou em nota o centro acadêmico do curso de Serviço Social.

Para os alunos, a não contratação permanente da professora reflete a exclusão de professores negros na universidade, "o que é uma realidade no sistema de ensino brasileiro como um todo que historicamente marginaliza o povo negro trabalhador em benefício da elite branca no poder”.

No abaixo assinado organizado pelos estudantes, a professora Marcia é descrita como uma docente com "trajetória pública e notória" com mais de 12 anos de experiência. "Foi a autora mais citada nos trabalhos enviados ao 15º CBAS e tem diversos artigos publicados em revistas científicas, tais como Serviço Social e Sociedade e Revista Ser Social". 

Os alunos dizem que a "chegada de uma mulher negra naquele espaço tão restrito reacendeu uma discussão que há tempos faz parte das pautas de reivindicações das/os estudantes que constroem o CA da PUC-SP". 

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Universidade reconhece a falta de negros no quadro docente

Em nota, a universidade afirmou que reconhece "a necessidade de diversificação e mudança do perfil do quadro docente" e que além das políticas de cotas étnico-raciais para os alunos da graduação e pós graduação, está elaborando uma política para a contratação de docentes, que pode ser aprovada ainda este ano.

A universidade também afirmou que a possível contratação da professora Marcia é de responsabilidade da coordenação do curso de Serviço Social. "A Reitoria, preservando a autonomia dos Departamentos e da Faculdade de Ciências Sociais, tal como previsto no Estatuto da Universidade, acompanha as tratativas em curso entre os estudantes e aquela unidade acadêmica, com forte expectativa de que se chegue à melhor solução", explicou a universidade. 

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De acordo com o centro acadêmico dos estudantes de Serviço Social da PUC de São Paulo, os alunos devem permanecer na ocupação do campus até que as demandas reivindicadas sejam respondidas.

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