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A presidente é alvo de críticas por comentários feitos durante a coletiva de imprensa, incluindo sua crítica "à pressa" dos estudantes em relação aos resultados; internautas ainda apontam a ausência de um intérprete de libras

Coletiva de imprensa com a presidente do Inep, Maria Inês Fini, e o ministro da Educação, Mendonça Filho
Reprodução/Facebook MEC
Coletiva de imprensa com a presidente do Inep, Maria Inês Fini, e o ministro da Educação, Mendonça Filho

O resultado do Enem 2017 foi divulgado no fim da manhã desta quinta-feira (18),  logo depois da coletiva de imprensa realizada com a presença do ministro da Educação, Mendonça Filho, e a presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), Maria Inês Fini. Transmitida ao vivo pelas redes sociais do Ministério da Educação (MEC), a apresentação das autoridades contou com algumas polêmicas. 

Tudo começou pelo atraso de uma hora na divulgação oficial dos resultados do Enem 2017 , previamente marcado para as 11h (horário de Brasília), que foi adiado para o meio-dia. "Nós adiantamos em um dia, estava marcado para amanhã, 19 de janeiro", tentou justificar o ministro em algum momento da coletiva. 

Durante as perguntas da imprensa , feitas após a apresentação dos resultados do exame pelas autoridades, a jornalista do Diário de Pernambuco afirmou que alguns candidatos da região Nordeste, fora do horário de verão, já "reclamavam online da dificuldade de acesso". Ao que Mendonça Filho respondeu: "é porque não está disponível ainda. É só às 12h do horário de Brasília".

A repórter completou que a dificuldade de acesso ao site do Inep também era relatada, de maneira geral, e Maria Inês comento que seria possível acessar "somente às 12h, do horário de Brasília", e fora do microfone, disse, em tom jocoso: "Oh, povo apressado". 

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No Facebook do MEC, internautas reagem ao comentário. "Nossa querida, cuidado com as suas palavras. Seu microfone está ligado, só lembrando. Falta de ética e postura”, diz uma internauta. "É claro que estamos apressados... isso pode definir nosso futuro”, defende outra. "Ô povo apressado...” Ouvi isso de um microfone??? Oi???”, exclama uma terceira.  “É CLARO Q A GENTE TA COM PRESSA PQ ESPERAMOS O ANO TODO PRA ISSOOOO”, desabafou mais um internauta.  

'Cadê a inclusão?

Outro ponto polêmica da coletiva do MEC e Inep hoje foi a ausência de um intérprete de libras para possíveis candidatos e espectadores com a deficiência auditiva que pudessem estar acompanhando as declarações sobre a prova, especialmente este ano, com o tema de redação sendo "Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil". 

Ministro da Educação, Mendonça Filho divulgou resultados da edição 2017 do Enem
Luis Fortes/MEC - 18.1.18
Ministro da Educação, Mendonça Filho divulgou resultados da edição 2017 do Enem

"Pensei que a formação educacional para surdos era um desafio, porém nao estou vendo os interpretes...", apontam internautas. "Se nem o Ministério da Educação sabe colocar em pratica a inclusão para os surdos, quem dirá exigir uma redação nota mil, dos estudante que nunca tiveram uma base nesse assunto...", criticaram outros.  "Sou surda e nao tem tradutor nessa coletiva? Só ficou na redação mesmo", apontou uma candidata. 

'Jornalistas preguiçosos' 

Outra declaração bastante polêmica – e criticada – da presidente do Inep hoje foi em relação ao alto número de provas de "Ciências Humanas" em branco. Indagada sobre as possíveis causas para essa ocorrência, Maria Inês afirma que "tem muito jornalista que vai fazer a prova, fica com preguiça de ler o texto, fica apenas com curiosidade".

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Pouco depois de fazer a "brincadeira", ela se explica e pede desculpas. Essa declaração também gerou dezenas de comentários nas redes sociais. "Povo apressado, Sra. Maria Inês Fini? Que comentário mais desrespeitoso, assim como a forma na qual a senhora tratou os jornalistas. É nítido o descaso que vocês tratam as pessoas que prestaram o exame", criticou um internauta.

O que fazer com a nota do Enem

Com o resultado do exame em mãos, o estudante poderá se candidatar às vagas em cursos superiores oferecidas por instituições públicas de ensino por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). As inscrições serão abertas no dia 23 deste mês e serão encerradas no dia 26 de janeiro . É necessário utilizar a mesma senha utilizada na página do participante do Enem para acessar as vagas do Sisu. O candidato deverá selecionar, por ordem de preferência, até duas opções de cursos.

A nota do Enem 2017 também é chave de acesso para se candidatar a uma das bolsas em instituições particulares participantes do Programa Universidade para Todos (ProUni) . As inscrições para as vagas do primeiro semestre de 2018 serão abertas no dia 6 de fevereiro e vão até o dia 9 daquele mês . O estudante poderá também usar o resultado do exame para obter financiamento pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). O MEC ainda não divulgou o calendário de inscrições do programa.

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