Maioria dos professores da rede pública de SP já sofreu agressão, diz pesquisa

Pesquisa encomendada por sindicato indica que número de profissionais da educação vítimas de violência no trabalho subiu 13 pontos percentuais
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Apeoesp: violência cresceu entre os estudantes: 802,5 mil dizem ter sofrido violência, o que representa 39% do total

A violência contra professores da rede pública estadual de São Paulo aumentou nos últimos anos. De acordo com pesquisa do Instituto Locomotiva feita a pedido do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), mais da metade dos profissionais (51%) já sofreram pessoalmente algum tipo de violência nas escolas em que trabalham, o que representa 104 mil profissionais. No período de 2013 a 2014, o percentual era de 44%.

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O aumento da violência também ocorreu entre os estudantes: 802,5 mil dizem ter sofrido algum tipo de agressão, o que representa 39% do total. Em 2013 e 2014, o índice era de 28%. Os tipos de violência sofridos nas escolas incluem agressão verbal, bullying, agressão física, furto, roubo e discriminação. Segundo a pesquisa da Apeoesp , realizada neste mês, os professores são as maiores vítimas de agressão verbal e discriminação, enquanto os estudantes sofrem mais com bullying e agressão física.

A presidente do sindicato, Maria Izabel Azevedo Noronha, atribuiu o aumento da violência nas escolas ao “abandono do governo do estado de São Paulo”.  “Não só o abandono à escola pública e a seu prédio, que também estão abandonados – mas aos seres humanos que fazem parte do processo de ensino e aprendizagem, que são os professores, os alunos, os funcionários”, disse.

Maria Izabel defendeu a existência da mediação no processo de combate à violência. “A violência tem que ser mediada. É na mediação que você trabalha com a civilidade. A educação é parte de um processo civilizatório”, disse. Além disso, ela destacou a importância de vínculo entre estudantes e professores e criticou a alta rotatividade de profissionais causada por contratações temporárias, o que prejudica a construção deste vínculo.

Segundo o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, nem mesmo a divulgação de uma pesquisa no final de 2013 foi suficiente para o desenvolvimento de políticas públicas e de ações efetivas no combate à violência nas escolas. "Isso transforma educadores e estudantes em vítimas, prejudica o aprendizado, compromete o futuro de toda uma geração de jovens que estão sendo formados hoje”, afirmou Meirelles.

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Periferia

De acordo com a pesquisa, os estudantes da periferia são 15% mais vulneráveis à violência dentro das escolas estaduais do que os alunos do centro. Enquanto 27% dos estudantes de escolas do centro declararam já ter sofrido pessoalmente algum tipo de violência, 42% dos alunos de instituições da periferia passaram por violência.

“A periferia é formada majoritariamente por jovens negros, com pais que vivem em condições de vulnerabilidade. Como se não bastassem todas as outras vulnerabilidades que existem pela falta da presença do Estado e de políticas públicas na periferia, eles também são os mais vulneráveis com relação à violência [na escola]”, ressaltou Meirelles.

Ele ressalta que o problema da violência faz com que as escolas fechem mais cedo e que os alunos não tenham a totalidade das aulas, devido ao medo de sair de dentro da sala de aula. “Nós sabemos que o problema da violência não está apenas dentro da escola, está também no seu entorno”.

O estudo aponta ainda algumas soluções para o problema como o envolvimento da comunidade no processo de decisão das instituições de ensino. Todas as pessoas ouvidas na pesquisa (pais, estudantes, professores e população em geral) apontaram investimentos em cultura e lazer e policiamento como soluções para o problema.

Mediação

A Secretaria da Educação de São Paulo disse que não teve acesso ao conteúdo da pesquisa, mas que um levantamento feito por seu Sistema de Proteção Escolar com 2.200 instituições de ensino fundamental e médio mostrou que, nos últimos três anos, diminuíram em 70% os episódios de violência e incidentes, incluindo bullying, agressões e indisciplina.

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Em nota, a secretaria informa que vai ampliar o programa de mediação de conflitos, capacitando educadores para prevenir desentendimentos nas escolas estaduais. “Todas as 5 mil escolas terão agora, ao menos, um educador nesse papel. E em 1.795 destas unidades haverá um segundo [educador] com o mesmo objetivo, para que trabalhem em conjunto. Hoje os vice-diretores de 2,3 mil escolas já são os responsáveis pela mediação. A partir de outubro, a secretaria irá formar os [mediadores] de todas as 5 mil unidades”, diz a nota.

A pesquisa, encomendada pela Apeoesp, ouviu 602 estudantes, 600 pais e mães de alunos e 649 pessoas da população em geral na capital paulista e em 13 cidade do interior e Grande São Paulo, além de 702 professores da rede estadual de 155 municípios.

* Com informações e reportagem da Agência Brasil

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