Vinicius Lummertz, ex-ministro do Turismo
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Vinicius Lummertz, ex-ministro do Turismo

Em uma definição relativamente simples, meta-heurísticas são aplicadas a problemas para os quais não se conhece um algoritmo eficiente. Ou seja, uma combinação de escolhas aleatórias e conhecimento dos resultados adquiridos, ajudando a guiar e realizar buscas em espaços não visitados, porém delimitados – o que previne interrupções ou soluções não necessariamente mais adequadas.

Outra diferenciação entre algoritmo e heurística mais próxima do nosso dia a dia: quando pesquisamos “sapatos sociais femininos” na internet imediatamente somos bombardeados por ofertas desse tipo de calçado. Isso é o algoritmo trabalhando. Replica respostas padrão. Na computação, o algoritmo é, no limite, um organizador. Porém, se houver uma necessidade real de pensar, de avaliar estratégia, sentimentos e conceitos, são as heurísticas que devem entrar em campo. O que o “Viagens e Turismo” têm a ver com isso? Muito.

As análises sobre os impactos sociais e econômicos das viagens são quase sempre injustas – são algorítmicas, binárias, na base do “0101”. Ou seja, repetem padrões ultrapassados. Para os tradicionalistas, o setor é o apêndice do crescimento dos outros; sempre o resultante, o reflexo, nunca a causa. Ou seja, o Turismo se desenvolve apenas e se houver uma movimentação positiva nos demais – classificados como primários e secundários. Há algum grande problema nisso? Não necessariamente. Ocorre que esta visão parcial é prejudicial na hora da definição das prioridades. No limite, relega o Turismo a uma atividade econômica e social menos nobre, beirando o supérfluo.

Se é possível tirar algo positivo da pandemia foi a demonstração clara de como “Viagens e Turismo” é importante, estratégico. Com as pessoas não podendo viajar diversos setores viram o seu faturamento ser atingido negativamente. Percebeu-se, instantaneamente, que o Turismo tem ramificações, meandros e capilaridade. Por isso, as análises não podem ficar presas às verificações algorítmicas que repetem os mesmos resultados.

Quando uma pessoa decide viajar, uma série de dispositivos são disparados, em um efeito dominó de consumo. Não por acaso, no planeta todo, um de cada dez empregos está no Turismo. Diferente de outras atividades econômicas, cujo aumento da produção e dos lucros não têm relação direta com a geração de postos de trabalho – eventualmente até com a dispensa de mão de obra – no Turismo ocorre o contrário: mais pessoas viajam, mais funcionários necessários. Ou seja, em uma visão mais moderna, heurística e holística, Turismo permeia positivamente os demais segmentos econômicos.

Outra característica é a adequação desse setor. “Viagens e Turismo” não precisa de um solo fértil ou condições primárias propícias. A depender do modelo adotado, não carece de uma imobilização de capital que seja sustentada às custas de isenções sem fim. Apenas um exemplo: a sul-mato-grossense Bonito, destino ecológico festejado, faz a gestão eficiente de seus atrativos há décadas. Desenvolvimento sustentável baseado no Turismo receptivo.

Pelo pensamento estereotipado – algorítmico – ali deveria haver no máximo soja, eventualmente pasto. Mas o que floresce é o Turismo, que assim também pode ser cultivado e crescer nos lugares mais inusitados, desde que siga uma regra básica “quase algorítmica”: estruturação e divulgação. Os frutos serão colhidos em emprego, renda e por todos os outros segmentos da Economia.

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